Alimpai-vos, pois, do
fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento.
Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós. 1 Coríntios 5:7
Há uma semelhança entre a páscoa e o sacrifício
de Cristo em si: era preciso um cordeiro, assim como Cristo foi um
"cordeiro", o "Cordeiro de Deus", por nomeação, inocência,
inocuidade, mansidão, humildade, e paciência; O cordeiro era para ser "sem
mácula", assim como Cristo era sem mancha e sem mácula, sem a mancha do
pecado original ou defeito de qualquer transgressão real; O cordeiro era para
ser macho , como também Cristo o era; O cordeiro precisava ser o
"primogênito", do mesmo modo Cristo o foi dentre muitos irmãos; O
cordeiro precisava ser macho de um ano, prefigurando Cristo na flor da sua
idade que chegou até a idade adulta carregando essa ingenuidade, apesar de ter
passado por uma variedade de dores e aflições.
Há também alguma semelhança entre eles na
separação e na morte: O cordeiro da Páscoa era para ser "tirado das
ovelhas ou das cabras", como a natureza humana de Cristo foi escolhida
dentre as pessoas e, pelo conselho eterno e o decreto de Deus, foi separado do
resto dos indivíduos de natureza humana; Cristo foi predestinado antes da
fundação do mundo para ser o Cordeiro que deveria ser morto; ele também foi
maravilhosamente formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem e separado e
preservado do contagio do pecado; ele foi separado dos pecadores, pois não
podia ser como eles, e agora é o mais sublime que há nos céus. O cordeiro era
para ser separado do "décimo" ao "décimo quarto" dia do mês
antes de ser morto; isso pode tipificar a preservação de Cristo, em sua
infância, da maldade de Herodes, e, em seus anos mais maduros, das astúcias dos
judeus sobre ele até que de fato chegasse a sua hora; também é para ser
observado que houve um espaço de tempo entre a sua entrada em Jerusalém e os
seus sofrimentos e morte (Ver Jo 12:11 e Jo 12 : 12). O cordeiro foi
"morto", assim o Príncipe da vida foi morto "entre as duas
noites", como Cristo foi no fim do mundo, nos últimos dias, no declínio do
tempo, da idade do mundo , e até mesmo da hora do dia, por volta da hora
"nona", ou três horas da tarde, o tempo entre as duas noites, o
início primeira noite ao meio-dia, logo que o sol começou a declinar.
Existe do mesmo modo uma igualdade no modo de
comer Cristo e o cordeiro : o cordeiro pascal não era para ser comido "cru
nem cozido", assim Cristo é para ser comido não de maneira carnal, mas de
uma forma espiritual, pela fé; o cordeiro era para ser "assado com
fogo", denotando os sofrimentos dolorosos de Cristo na cruz, o fogo da ira
divina que caiu sobre ele; o cordeiro era para ser comido "todo",
como Cristo inteiro, a sua pessoa, é para ser recebida pela fé, com todos os
seus escritórios, graça e justiça; os ossos de ambos não eram para ser
"quebrados", isso foi cumprido em Cristo (Ver Jo 19:36); O cordeiro
era para ser comido “com pães ázimos", o que é espiritualizado pelo apóstolo
no versículo seguinte, e também com "ervas amargas", expressivos das
suas duras aflições e grave servidão; assim como a vida dos israelitas fora
amarga no Egito, cheia de perseguições e provações, também deve ser para
aqueles que vivem piedosamente a fé em Cristo Jesus. A páscoa era para ser
consumida por israelitas e por aqueles que se tornavam prosélitos, assim Cristo
veio apenas para os verdadeiros crentes. O cordeiro era para ser comido em
família. No caso, se a família fosse muito pequena, ela devia se juntar com os
seus "vizinhos"; isso pode caracterizar o chamado dos gentios ,
quando o muro de separação foi derrubado; a carne de Cristo e seu sangue é
comum a ambos. A primeira Páscoa foi comida às pressas pelos israelitas, com os
lombos cingidos, com sapatos e bastões nas mãos, prontos para partir do Egito
para a terra de Canaã, denotando a prontidão dos crentes para toda boa obra: os
pés calçados com a preparação do Evangelho da paz; os lombos cingidos com a
verdade, suas luzes acesas em prontidão para a vinda do seu Senhor,
apressando-se para o dia Dele, sendo fervorosamente desejosos de estarem
ausentes do corpo para que possam logo estar presentes com ele.
Resumindo: o recebimento
do sangue do cordeiro pascal numa bacia, sua aspersão na verga da porta e nos
dois umbrais para que o Senhor quando passasse pela terra do Egito , por cima
das casas, não destruísse os primogênitos das casas- daí o significado do nome
Páscoa- era muito significativo do sangue da aspersão, o sangue de Cristo sobre
os corações e as consciências dos fiéis, o sangue pelo qual eles são protegidos
da maldição e condenação da lei, da ira vindoura e da segunda morte. Assim,
Cristo é a nossa Páscoa, antitípico que foi sacrificado, cujo corpo e alma
foram oferecidos como oferta e sacrifício a Deus por nós, para que pudesse ser
comido de maneira adequada pela nossa fé e também para que satisfizesse a
justiça divina pelos nossos pecados e transgressões.

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