segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Do Não Uso de Instrumentos Musicais no Culto Público- Calvino e Gill




Regozijai-vos no SENHOR, vós justos, pois aos retos convém o louvor. Louvai ao SENHOR com harpa, cantai a ele com o saltério e um instrumento de dez cordas. Cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo. Porque a palavra do SENHOR é reta, e todas as suas obras são fiéis. Salmos 33:1-4

Louvai ao SENHOR com harpa



"É evidente que o salmista neste ponto expressa o veemente e ardente afeto que os fiéis devem nutrir ao louvarem a Deus, quando ordena que instrumentos musicais sejam empregados com este propósito. Não deve omitir nada aos crentes que se inclinam a animar a mente e a emoção dos homens, cantando os louvores de Deus. O nome de Deus, sem dúvida, só pode, propriamente falando, ser celebrado mediante a articulação da voz; mas não sem motivo que Davi acrescenta a isto aqueles auxílios pelos quais os crentes costumavam estimular-se ao máximo para este exercício; especialmente considerando que ele estava falando ao antigo povo de Deus. Entretanto, há uma distinção a ser observada aqui, a saber, que não podemos indiscriminadamente considerar aplicável a nós cada coisa que antigamente foi ordenada aos judeus. Não tenho dúvida de que tocar címbalos, a harpa e o violino, bem como todo gênero de música que é tão freqüentemente mencionada nos Salmos, era uma parte da educação; ou seja, a pueril instrução da lei: falo do serviço fixo do templo. Porque mesmo agora, se os crentes decidissem recrear-se com instrumentos musicais, creio que não devem nutrir o objetivo de dissociar sua jovialidade dos louvores de Deus. Mas quando freqüentam suas assembléias sacras, os instrumentos musicais para a celebração dos louvores divinos não devem ser mais oportunos do que a queima de incenso, o acender das lâmpadas e a restauração de outras sombras da lei. Os papistas, pois, insensatamente tomaram isto por empréstimo, bem como outras coisas, dos judeus. Os homens que são amantes da pompa externa podem deleitar-se com esse ruído; mas a simplicidade que Deus nos recomenda, através do apóstolo, lhe é muito deleitável. Paulo só nos permite bendizer a Deus na assembléia pública dos santos numa língua conhecida [ 1 Co 14:16 ]. A voz humana, ainda que não entendida pela generalidade, indubitavelmente excede a todos os instrumentos inanimados de música; e ainda vemos o que Paulo determina concernente a falar numa língua desconhecida. O que, pois, diremos da cantinela que não enche os ouvidos com outra coisa senão sons vazios? Quem objetará que a música é utilíssima para despertar as mentes dos homens e comover seus corações? Eu mesmo; mas devemos sempre tomar cuidado para que não se introduza nenhuma corrupção, a qual tanto pode macular o puro culto de Deus como também envolver os homens na superstição. Além do mais, visto que o Espírito Santo expressamente nos adverte, pelos lábios de Paulo, quanto a este perigo, ir além do que ele nos autoriza é, eu diria, não só um zelo inadvertido, mas ímpia e perversa obstinação".

João Calvino. Comentários aos Salmos. Volume II. Editora Fiel: São José dos Campo/SP, páginas 50 e 51.

 
"(5.) Considerando uma outra objeção contra o cantar os salmos de Davi. O canto de lá era anteriormente atendido com o uso de instrumentos musicais, tais como a harpa, tamborim, címbalos, e semelhantes: Se, então, eles são cantados agora, por que não com esses instrumentos, como antes? E se estes estão em desuso, por que não cantar sozinho? Eu respondo que o uso de instrumentos musicais não era essencial para cantar e, portanto, estes devem ser postos de lado. A dispensação do Antigo Testamento era vistosa, berrante e pomposa, adaptada ao estado então infantil da igreja. Havia muitos ritos cerimoniais que, embora agora abolidos, faziam parte do culto a Deus, mas o culto sendo de natureza moral, permanece em pleno vigor: Como, por exemplo, era costume de queimar incenso no momento da oração, agora o uso do incenso, que era típico da aceitação das orações dos santos, através da mediação de Cristo, é deixado de lado, mas o dever da oração, sendo de natureza moral, continua. Então, o uso de instrumentos musicais, que participava do cantar os louvores de Deus, e era típico de melodia espiritual interior, está ab-rogado, e o cantar, sendo igualmente de natureza moral, como a oração, ainda é obrigatório. Agora é suficiente quando cantamos em voz alta ao mesmo tempo fazemos melodia em nossos corações para o Senhor."


Do Cantar Salmos Como Parte do Culto Público –John Gill

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