Regozijai-vos no SENHOR, vós justos, pois aos
retos convém o louvor. Louvai ao SENHOR com harpa, cantai a ele com o saltério
e um instrumento de dez cordas. Cantai-lhe
um cântico novo; tocai bem e com júbilo. Porque a palavra do SENHOR é reta, e
todas as suas obras são fiéis. Salmos 33:1-4
Louvai ao SENHOR com harpa
Louvai ao SENHOR com harpa
"É evidente que o salmista
neste ponto expressa o veemente e ardente afeto que os fiéis devem nutrir ao
louvarem a Deus, quando ordena que instrumentos musicais sejam empregados com
este propósito. Não deve omitir nada aos crentes que se inclinam a animar a
mente e a emoção dos homens, cantando os louvores de Deus. O nome de Deus, sem
dúvida, só pode, propriamente falando, ser celebrado mediante a articulação da
voz; mas não sem motivo que Davi acrescenta a isto aqueles auxílios pelos quais
os crentes costumavam estimular-se ao máximo para este exercício; especialmente
considerando que ele estava falando ao antigo povo de Deus. Entretanto, há uma
distinção a ser observada aqui, a saber, que não podemos indiscriminadamente
considerar aplicável a nós cada coisa que antigamente foi ordenada aos judeus.
Não tenho dúvida de que tocar címbalos, a harpa e o violino, bem como todo
gênero de música que é tão freqüentemente mencionada nos Salmos, era uma parte
da educação; ou seja, a pueril instrução da lei: falo do serviço fixo do
templo. Porque mesmo agora, se os crentes decidissem recrear-se com
instrumentos musicais, creio que não devem nutrir o objetivo de dissociar sua
jovialidade dos louvores de Deus. Mas quando freqüentam suas assembléias
sacras, os instrumentos musicais para a celebração dos louvores divinos não
devem ser mais oportunos do que a queima de incenso, o acender das lâmpadas e a
restauração de outras sombras da lei. Os papistas, pois, insensatamente tomaram
isto por empréstimo, bem como outras coisas, dos judeus. Os homens que são
amantes da pompa externa podem deleitar-se com esse ruído; mas a simplicidade
que Deus nos recomenda, através do apóstolo, lhe é muito deleitável. Paulo só
nos permite bendizer a Deus na assembléia pública dos santos numa língua
conhecida [ 1 Co 14:16 ]. A voz humana, ainda que não entendida pela
generalidade, indubitavelmente excede a todos os instrumentos inanimados de
música; e ainda vemos o que Paulo determina concernente a falar numa língua
desconhecida. O que, pois, diremos da cantinela que não enche os ouvidos com
outra coisa senão sons vazios? Quem objetará que a música é utilíssima para
despertar as mentes dos homens e comover seus corações? Eu mesmo; mas devemos
sempre tomar cuidado para que não se introduza nenhuma corrupção, a qual tanto
pode macular o puro culto de Deus como também envolver os homens na
superstição. Além do mais, visto que o Espírito Santo expressamente nos
adverte, pelos lábios de Paulo, quanto a este perigo, ir além do que ele nos
autoriza é, eu diria, não só um zelo inadvertido, mas ímpia e perversa
obstinação".
João Calvino. Comentários aos Salmos. Volume II. Editora Fiel: São José dos Campo/SP, páginas 50 e 51.
João Calvino. Comentários aos Salmos. Volume II. Editora Fiel: São José dos Campo/SP, páginas 50 e 51.
"(5.) Considerando
uma outra objeção contra o cantar os salmos de Davi. O canto de lá era
anteriormente atendido com o uso de instrumentos musicais, tais como a harpa,
tamborim, címbalos, e semelhantes: Se, então, eles são cantados agora, por que
não com esses instrumentos, como antes? E se estes estão em desuso, por que não
cantar sozinho? Eu respondo que o uso de instrumentos musicais não era
essencial para cantar e, portanto, estes devem ser postos de lado. A
dispensação do Antigo Testamento era vistosa, berrante e pomposa, adaptada ao
estado então infantil da igreja. Havia muitos ritos cerimoniais que, embora
agora abolidos, faziam parte do culto a Deus, mas o culto sendo de natureza
moral, permanece em pleno vigor: Como, por exemplo, era costume de queimar
incenso no momento da oração, agora o uso do incenso, que era típico da
aceitação das orações dos santos, através da mediação de Cristo, é deixado de
lado, mas o dever da oração, sendo de natureza moral, continua. Então, o uso de
instrumentos musicais, que participava do cantar os louvores de Deus, e era
típico de melodia espiritual interior, está ab-rogado, e o cantar, sendo
igualmente de natureza moral, como a oração, ainda é obrigatório. Agora é suficiente
quando cantamos em voz alta ao mesmo tempo fazemos melodia em nossos corações
para o Senhor."
Do Cantar Salmos Como
Parte do Culto Público –John Gill

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