Deixando, pois, de lado todo este sem fim de
cerimônias e de pompas, a Santa Ceia bem que podia ser administrada santamente,
se com frequência, ou pelo menos uma vez por semana, se propusesse à Igreja
como segue: no início se faria orações públicas; a seguir viria o sermão;
então, postos na mesa pão e vinho, o ministro repetiria as palavras da
instituição da Ceia; depois, reiteraria as promessas que nos foram nela
anexadas; ao mesmo tempo, vedaria à comunhão todos aqueles que são dela
barrados pelo interdito do Senhor; após isto, se oraria para que o Senhor, pela
benignidade com que nos prodigalizou este alimento sagrado, também nos receba
em fé e gratidão de alma, nos instruindo e preparando; e, uma vez que por nós
mesmos não somos dignos, por sua misericórdia aprouve nos dignificar para tal
repasto.
Aqui, porém, ou se cantariam salmos ou se leria parte da Escritura, e, na ordem que convém, os fiéis participariam do sacrossanto banquete, os ministros partindo o pão e oferecendo-o ao povo. Terminada a Ceia, se faria uma exortação à fé sincera e à sincera confissão dessa fé, ao amor cristão e ao comportamento digno de cristãos. Por fim, se daria ação de graças e se entoariam louvores a Deus; findos os quais, a congregação seria despedida em paz.
Fonte: Institutas IV

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