sábado, 9 de novembro de 2013

O Batismo- John Gill




Como a primeira aliança ou testamento tinha ordenanças de culto divino  que foram mudadas, removidas e abolidas, o Novo Testamento  ou dispensação do evangelho  tem ordenanças de culto divino  que não podem ser abaladas, mas que permanecerão  até a segunda vinda de Cristo.  Essas ordenanças, como diz Agostinho [1], são poucas,  fáceis  de ser observadas  e de um significado muito expressivo . O batismo seria uma delas o qual  deve ser adequado  para ser tratado aqui em primeiro lugar , porque ele não é uma ordenança da igreja , é uma ordenança de Deus  e uma parte dos elementos da adoração pública. Quando eu digo que não é uma ordenança da igreja , quero dizer que não é uma ordenança administrada na igreja, mas fora dela, no intuito de admissão para ela, comunhão com ela, preparatório para ela  e qualificação para ela. O batismo não faz da pessoa membro de uma igreja  ou  o admitir essa pessoa ao batismo torna-a membro de uma igreja visível. As pessoas devem primeiro ser batizadas e acrescentadas à igreja , como os três mil convertidos foram. A igreja não tem nada a ver com o batismo de qualquer pessoa , mas elas primeiro são batizadas antes de serem admitidas à comunhão com ela. Admissão ao batismo reside unicamente no seio do administrador , que é o único juiz qualificado para isso, e que tem o poder exclusivo de receber a pessoa ou de rejeitá-la. Se não se sentir satisfeito, o administrador pode rejeitar uma pessoa que quer se tornar membro de uma igreja, mas pode administrar-lhe o batismo sem que seja necessário para admissão como membro. Todavia esse  desacordo não é desejável nem recomendável.  O correto , o regular, a regra bíblica do processo parece ser esta : a pessoa inclinada a  submeter-se ao batismo é para se juntar em comunhão com a igreja.  Primeiro dever ir  a um administrador  e ao dar -lhe satisfação de sua fé, ser batizada por ele. Em seguida pede comunhão à igreja , quando for capaz de responder a todas as perguntas propostas. Se lhe for solicitada dar razão da esperança que está nela, deverá estar pronta para fazê-la assim como testemunhar  sobre sua vida e conversa. Ademais,  se  lhe for perguntada se  é  uma pessoa batizada ou não, ele pode responder afirmativamente e adiante  dar provas disso.  Esse seria  o processo bíblico correto para admissão de uma pessoa  à comunhão da igreja. Saulo de Tarso , quando convertido , foi imediatamente batizado por Ananias sem qualquer conhecimento prévio e autorização da igreja. Muitos dias depois disso é que ele propôs juntar-se aos discípulos , e foi recebido (Atos 9:18 , 19 , 23, 26-28). Entretanto  como  o batismo nas águas aqui é tratado , eu devo

1 . Em primeiro lugar, provar que ele  é peculiar à dispensação do evangelho , que é uma ordenança  que entrou em vigor nessa dispensação e  que terá continuidade até a segunda vinda de Cristo . Isto é o oposto dos sentimentos dos que dizem que o batismo estava em uso antes dos tempos de João, de Cristo e seus apóstolos , e que tal batismo nas águas deveria ser administrado entre o intervalo do ministério de João e da morte de Cristo , quando, com os demais ritos externos cessaram ou  como os socinianos [2] que pensam que apenas os primeiros convertidos ao cristianismo e seus filhos deveriam ser batizados, mas não a sua posteridade depois . De fato havia  várias  lavagens ou batismos sob a dispensação da lei para a purificação de pessoas e coisas impuras , pela lei cerimonial , que tinha uma doutrina delas, chamada a doutrina dos batismos , que era uma prefiguração da purificação do pecado pelo sangue de Cristo , entretanto  não havia nada semelhante neles além da imersão à ordenança do batismo nas águas. Os judeus fingem que  seus antepassados ​​foram recebidos no pacto por meio do batismo  ou imersão , bem como pela circuncisão e sacrifício, e que os prosélitos do paganismo são recebidos da mesma forma . Isso é avidamente agarrado pelos defensores do batismo infantil , que gostam de dizer que João , Cristo e seus apóstolos  pegaram esse costume dos judeus  e  que  a continuação deles  é a justificativa  do silêncio do pedobatimo  no Novo Testamento.  Entretanto  não há nem preceito nem exemplo para provar essa prática antes dos tempos de Cristo. Com certeza, se ela estava em tal uso comum como pretendem , embora nenhum novo preceito fosse dado , não teria havido precedentes suficientes  nas Escrituras para afirmar o contrário. Ademais nenhuma prova de batismo naqueles tempos de Cristo  deve ser tomada  dos batismos do Antigo Testamento, que eram uma prefiguração da purificação do sangue de Cristo, como antes fora dito- nem muito menos dos livros apócrifos dos judeus , nem de Josefo ou  Philo o judeu , que escreveram suas obras depois do advento de Cristo e João;  nem  da misná ou da tradição judaica que trazem citações disso em escritos posteriores, sendo portanto prova tardia para confirmação dessa prática [3] . João foi o primeiro administrador da ordenança do batismo , por isso é chamado de "o Batista" (Mateus 3:1) com essa ênfase . Se de fato  o batismo como era administrado por João fosse de uso comum , deveria haver muitos batizadores antes dele com a reivindicação  deste título.  Mas por que as pessoas estavam tão impressionadas  quando  vinham  para serem batizadas por ele e ouvi-lo pregar? Por que se impressionavam com tudo isso já que eram coisas tão comuns ? E por que o Sinédrio judaico enviou  sacerdotes e levitas de Jerusalém para João  para saber quem ele era, se o Messias  ou seu precursor Elias ou o profeta falado e esperado? E quando ele confessou  e negou que não era nenhum deles, replicando-lhe: " Por que batizas, pois ? " ? Pelo modo como eles reagiram quando viram João, parece que foi uma coisa nova esperada apenas quando o Messias viesse , mas não antes , a ser realizada por um grande personagem ou por um dos  antes mencionados. Se isso fosse para ser feito por qualquer  professor , rabino, médico , sacerdote ou levita  em épocas imemoriais, não haveria nenhum espaço para tal pergunta a João nem a Nosso Senhor  quando os judeus perguntaram se o batismo de João era  do céu ou dos homens.  Se era deveras uma tradição , um costume em uso entre eles eles , teria sido esse o caso mais conhecido e  não objeto de qualquer dilema .  O batismo de João não era uma tradição de homens ,  mas o " conselho de Deus ", conforme sua vontade e determinação sábia (Lucas 7:30) . João tinha uma missão e comissão: ele fora um homem enviado por Deus para batizar (João 1:06 , 33). Seu batismo foi um batismo nas águas segundo sua afirmação. Os locais onde foram administrados esses batismos provarão essa assertiva, de modo a levar a todos a  se convecer que assim fora procedido.


Agora  o batismo de João, Cristo e seus apóstolos  eram os mesmos. Cristo foi batizado por João, e seu batismo foi certamente um  batismo cristão ,pois  isso ninguém pode duvidar          ( Mateus 3:13-17 ). Os  seus discípulos também foram batizados por ele, pois por quem mais poderiam ser batizados? Não pelo próprio Cristo, pois ele não batizou ninguém(João 4:2). Também  é observável  que o batismo de João e o batismo de Cristo e seus apóstolos  foram  ao mesmo tempo contemporâneos  e não uma sucessão do outro. Agora não é razoável supor que deve haver dois tipos de batismo administrados ao mesmo tempo , mas um único e mesmo por ambos ( João 3:22, 23, 26, 4:1-2) .

O batismo de João, que era o praticado pelos apóstolos de Cristo mesmo depois de sua morte e ressurreição dentre os mortos , concordam ,


1a . Com os mesmos sujeitos . Aqueles a quem João batizou foram sensíveis ao pecado, eram penitentes  , estavam convencidos de seus pecados  , faziam  uma confissão  sincera deles,  demonstrando os verdadeiros  " frutos dignos do arrependimento ". O batismo dessas pessoas era chamado de " batismo de arrependimento ", porque isso era exigido para sua administração (Mateus 3:6-8 , Marcos 1:04 ) . Os apóstolos de Cristo exortavam os homens a se arrepender, a professar o seu arrependimento  e dar provas disso  antes do batismo (Atos 2:38). João disse ao povo que vinha  ao batismo dele, " que cressem no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo  ( Atos 19: 4-5 ) . A fé em Cristo  era um pré-requisito para o batismo por Cristo e seus apóstolos ( Marcos 16:16 , Atos 8:36-37) .


1b . Com o modo e forma de administração de ambos. O batismo de João era por imersão, como os locais escolhidos por ele podem demonstrar. O batismo de Cristo por João é uma prova de que (Mateus 3:6, 16; João 3:23 ) da mesma maneira foi o batismo realizado pelos  apóstolos, como do eunuco por Filipe (Atos 8:38-39 ) .


1c . Com sua forma de administração. João foi enviado por Deus para batizar. E em nome de quem ele deveria  batizar senão em  nome do único e verdadeiro Deus  que o enviou , isto é, do  Pai , do Filho e do Espírito Santo? A doutrina da Trindade era conhecida por João, como era para os judeus em comum .  É dito dos ouvintes e discípulos de João que eles foram " batizados em nome do Senhor Jesus " (Atos 19:05 ) . A mesma forma  foi usada no batismo dos que foram batizados  pelos apóstolos de Cristo (Atos 8:16; 10:48 ). Ela é apenas uma parte de toda a fórmula e é suficientemente expressiva do batismo cristão  que é para  ser realizado "em nome do Pai, do Filho  e do Espírito Santo " (Mateus 28:19).


1d.No final das contas  o uso do batismo de João e dos apóstolos foi mediante o arrependimento para a remissão dos pecados ( Marcos 1:4; Atos 8:38). Não que pelo arrependimento ou o batismo se obtenha o perdão do pecado , pois isto é apenas concedido pelo sangue de Cristo, embora o batismo seja um meio de se levar a esse sangue  e ao arrependimento. Agora, já que há um acordo entre o batismo de João, administrado antes da morte de Cristo, e o batismo dos apóstolos , após a morte , ressurreição e ascensão de Cristo , é um caso simples, que não se limitou ao intervalo de tempo entre o início do ministério de João à morte de Cristo, mas depois foi continuado-pelo que parece- além da  grande comissão ( Mateus 28:19 ) : "Ide , pois, e ensinai todas as nações , batizando-as ...”  A  palavra água é sempre implicita quando o ato de batizar é atribuída aos homens , pois é peculiar a Cristo batizar com o Espírito Santo (Mateus 3:11; Atos 1:5);  nem ele dá aos seus apóstolos , nem a nenhum homem ou grupo de homens  a comissão eo poder para batizar com o Espírito. Ademais  o  aumento das graças do Espírito e a doação de seus dons  são prometidos para as pessoas após o batismo , o que demonstra que o batismo com Espírito é distinto do batismo nas águas(Atos 2:38). Os apóstolos , sem dúvida , entenderam  a comissão de seu Senhor e mestre para batizar nas  águas .Felipe, depois de ter ensinado a doutrina ao eunuco, quando chegaram num local onde havia água, disse –lhe o eunuco:" Eis aqui água, que impede que eu seja batizado? " isto é, na água.  Quando Filipe observara que  o eunuco havia satisfeito o grande requisito  para o batismo, isto é, a profissão de fé em Cristo, ambos desceram  às águas  e o eunuco então fora  batizado.  Este foi certamente o batismo nas águas, o mesmo que Pedro   ordenara a Cornélio e a seus amigos após o batismo com Espírito Santo; este, portanto, um batismo diferente daquele . "Pode alguém porventura recusar a água, para que não sejam batizados estes, que também receberam como nós o Espírito Santo?" (Atos 8:36,38, 39 ; 10:47-48 ) . O batismo nas águas, assim como a ordenança da ceia , deve continuar  até o fim do mundo, até a segunda vinda de Cristo. Daí por que  diz Cristo  a seus ministros para pregar o evangelho e batizar em seu nome : " Eis que estou convosco todos os dias ", no ministério da palavra  e na administração do batismo " até o fim do mundo" (Mateus 28:19-20) .


2 . Em segundo lugar devo considerar que o batismo não é um mandamento de homens, mas uma ordenança de Deus. Ele é uma parte solene do culto divino realizado em nome das três Pessoas da divindade: Pai , Filho e Espírito Santo. Na sua administração, uma vez que o nome de Deus é invocado, é exigido daquele que vai ser batizado fé verdadeira em Deus e obediência sempre aos seus preceitos. Agora, para um ato de adoração religiosa deve haver um mandamento de Deus. Deus é um Deus ciumento e não dividirá sua glória com ninguém na adoração a ele. Ademais o que não está de acordo com a sua palavra e vontade- não sendo mandamento seu- ele pode justamente dizer: " quem requereu isto de vossas mãos ? " e irá se ressentir. Um mandamento de homens não é suficiente; nenhum homem na terra é para ser chamado de mestre; apenas a Nosso Senhor no céu , e só a ele- devemos obedecer. Se mandamentos de homens são ensinados como doutrinas suas , em vão é o Senhor adorado. Aquilo que não é feito conforme a sua vontade é superstição e vã adoração. Na verdade o batismo como agora é comumente praticado é uma mera invenção dos homens; todo ele foi corrompido e mudado: em vez de homens espirituais e racionais, crianças, que não têm o uso da razão nem o exercício de graça, são admitidas a ele; em vez de imersão e emersão na água- uma imagem muito expressiva dos sofrimentos de Cristo , sua morte, sepultamento e ressurreição dentre os mortos- algumas gotas de água no rosto são jogadas; assim como uma série de ritos e cerimônias tolas utilizadas pelos romanistas e que são mantidas seu uso por alguns protestantes , como os padrinhos e o sinal da cruz . Em suma, a aparência da ordenança está tão mudada que, se os apóstolos ressuscitassem dentre os mortos e a visse agora sendo realizada , nem eles próprios reconheceriam ser uma ordenança instituída por Cristo e praticada por eles . Mas quando administrada conforme o padrão em que fora entregue no início, é de origem divina e " conselho de Deus”. Nela todas as três pessoas da trindade têm uma função, pois todas apareceram  no batismo de Cristo dando uma sanção para o mandamento com a sua presença: o Pai por uma voz do céu , dizendo: "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo ! " A sua pessoa , portanto, neste ato submeteu-se à ordenança do batismo ;  o Filho, na natureza humana , rendendo obediência a ele  e o Espírito, descendo sobre ele como uma pomba . O batismo é obrigatoriamente para ser administrado no nome de  todas as três pessoa da Divindade, ou seja, Pai , Filho e Espírito Santo, que, entre outras coisas, é expressivo da autoridade divina no qual  é realizado. Cristo recebeu de Deus Pai honra e glória, como a sua transfiguração , portanto, no seu batismo, pela voz do céu, o pai expressa o seu amor ao Filho porque ele era obediente a sua vontade. O  Filho de Deus na natureza humana  não só deixou um exemplo disso , que devemos trilhar seus passos, embora ele mesmo não batizou ninguém , mas deu ordens a seus  discípulos para fazê-lo mesmo depois da sua ressurreição dentre os mortos. O Espírito de Deus também mostrou sua aprovação através de sua descida no batismo de Cristo ratificando que a administração dele também deve ser no seu nome, assim como no nome das outras duas pessoas.  


3. Em terceiro lugar  os sujeitos do batismo  precisam ser  investigados : quem são eles  e se satisfazem  as instâncias e exemplos das  Escrituras. De modo geral eles devem ser

3a . iluminados pelo Espírito de Deus para ver o estado de sua natureza perdida, a excessiva malignidade do pecado , a Cristo como o único Salvador dos pecadores   e que apenas   ele pode salvá-las .  A finalidade da ordenança é representar os sofrimentos , morte, sepultamento e ressurreição de Cristo ;  daí por que o  batismo era pelos antigos  chamado de  "iluminação "e pessoas batizadas  de  "iluminados" , conforme as versões em siriaco e etíope de Hebreus 6:4 que substitui batizados por iluminados . Um exemplo disso foi a queda das escamas dos olhos de Paulo , significando  sua cegueira,  ignorância e incredulidade  agora removidas. Depois disso  ele se levantou e foi batizado (Atos 9:18) .

3b . Penitentes ; tal que, tendo visto a natureza maligna do pecado , arrependa-se dele  e reconheça-o;  tais foram as  primeiras pessoas batizadas por João segundo lemos , pois eles foram " batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados" ( Mateus 3:06 ). Também foram  sensíveis ao pecado , confessando as suas culpas,  os primeiros discípulos que foram batizados depois  da ressureição de Cristo .  Os discípulos foram instruídos a batizar   todos  os que  fossem   tocados pela palavra, professassem  arrependimento e dessem  provas disso , assim  como eles foram ( Atos 2:37 , 38, 41 ) . É uma  pena que  esses primeiros exemplos de batismo não foram rigorosamente seguidos.

3c . Crentes em Cristo(Marcos 16:16),  isso é claro a partir do caso do eunuco  que desejando o batismo , Felipe lhe disse: "Se tu crês de todo o teu coração, tu podes , " porque parece que  se ele não acreditasse , não tinha o direito de receber o batismo;  mas ele professou sua fé em  Cristo e  logo foi batizado (Atos 8:36 ). Os  vários casos de batismos registrados  nas  Escrituras  confirmam essa assertiva:  os habitantes de Samaria  quando creram em Cristo " foram batizados  tanto homens como mulheres; " Os Coríntios  " ouviram" a palavra pregada pelo apóstolo Paulo ,  " acreditaram  "em Cristo , a quem ele pregava " e foram batizados "  mediante a fé nele (Atos 08:12; 18:08 ). Sem fé é impossível agradar a Deus em qualquer mandamento  ou parte do culto. O que não é de fé é pecado  e sem ela ninguém pode ver o fim da ordenança do batismo , como antes  fora observado .

3d . Discípulos que  fazem outros discípulos através do ensino, pois isso se alinha tanto  à prática de Cristo  como a  sua comissão. É dito  " que Jesus fazia e batizava mais discípulos do que João " (João 4:1).  Primeiro ele fez discípulos e  em seguida os batizou , ou seja, ordenou a seus apóstolos batizá-los , e assim ocorre a sua comissão: "Ide, ensinai todas as nações , batizando-as ", isto é , aqueles que são ensinados  e se tornam  discípulos .  Eles são os discípulos de Cristo , pois aprenderam a conhecê-lo , negaram o pecado, são justos  e  por amor de seu mestre  tomaram  a cruz dele  e  o seguiram.


3e . Pessoas que receberam o Espírito de Deus, isto é, iluminação, convicção, santificação e fé ( Ver Atos 10:47 ; Gl 3 : 2). Quanto aos ignorantes das coisas divinas , os impenitentes , os incrédulos , os destituídos do Espírito Santo, não são apropriados ao batismo. Igualmente as crianças, filhas de pais crentes, motivadas  por questões de primogenitura , também não são adequadas a receberem o batismo. Essas crianças , apesar de terem nascidas de fieis , são carnais, corruptas  e filhas da ira como as demais; " O que é nascido da carne é carne”; logo  elas precisam nascer de novo, pois doutro modo não podem ver , possuir e usufruir o reino de Deus;  nem  muito menos têm o direito de serem admitidas na igreja agora, nem entrarão no reino de Deus,  a menos que nasçam de novo . A filiação carnal não lhes dá  o direito ao reino de Deus na terra, nem o reino de Deus no céu. O batismo infantil não tem nem preceito nem procedência nas Escrituras.


3e1 . Em primeiro lugar, não existe preceito para ele nas palavras de Cristo em Mateus 19:14: "Jesus, porém, disse: Deixai as crianças ...”.  Pois,

3e1a . Essas palavras não estão sob a forma de um preceito , mas de uma permissão ou outorga, e não significam que foram impostas como necessárias, mas que foi deixada a elas vir a Cristo. “Deixai as crianças...”


3e1b . Estas crianças não parecem ser bebês recém-nascidos . As palavras “paidia” e “brefh” usadas pelos evangelistas nem sempre significam tais , às vezes são usadas ​​para aqueles que são capazes de ir sozinhos, de ser instruídos  e de compreender as escrituras ( Ver Mateus 18:02 ; 2 Tm 3:15;  Marcos 5:39, 42) . Cristo chamou as crianças (Lucas 18:16) e elas foram capazes de chegar a ele por si mesmas como se supõe nas próprias palavras.Nem a objeção de que elas lhe foram apresentadas para serem tomadas nos seus braços possui algum precedente, pois delas se diz que  podiam  andar por  si mesmas ( Mateus 12:22 , 17:16 , Marcos 9:36) .


3e1c . As escrituras não dizem que essas crianças eram filhas de crentes batizados ou de  pessoas não batizadas ou incrédulas. Os pedobatistas não permitem  que crianças de pais incrédulos  sejam batizadas.


3e1d . É certo que não foram trazidos a Cristo para ser batizado por ele , mas para outros fins. O evangelista Mateus diz  que elas foram trazidas para que ele colocasse as suas mãos sobre elas  e orasse.  Isso ele fez segundo o costume dos judeus quando dão a bênção (Gn 48:14 , 15). Os evangelistas Marcos e Lucas dizem que  elas foram trazidas para ele, pois  ele " iria tocá-las " como ele fez quando curou pessoas de doenças. Provalvemente  essas crianças estavam doentes e foram trazidas para serem curadas;  todavia  não foram trazidas a Cristo para serem batizadas por ele, pois  o mesmo não batizou ninguém. Se deveras fossem trazidas ao batismo, aos  discípulos de Cristo que administravam a ordenança e não a Cristo , deveriam ser trazidas.  Por conseguinte  é certo que não foram batizadas por Cristo, já que ele nunca batizou ninguém .


3e1e . Esta passagem  da  escritura é  contra o pedobatimo, pois  mostra que esta prática não tinha crédito entre os judeus, não fora usada nem por João, nem por Cristo e seus discípulos.  Dificilmente os apóstolos teriam  proibido  a entrada dessas crianças , uma vez que se podia facilmente supor que elas foram trazidas para ser batizadas. Essa proibição dos apóstolos mais o  silêncio de Cristo sobre este assunto, quando ele teve oportunidade de falar dele aos seus discípulos , explicando-lhes que esse era um mandamento seu, a sua vontade- não parece muito favorável a prática do pedobatismo.


3e1f . A razão dada  por Cristo para que deixasse vir a ele as crianças , “porque dos tais é o reino dos céus ", deve ser entendida em sentido figurado e metafórico , como  filhos da modéstia , mansidão e humildade; aquelas que  são  isentas de rancor , malícia , ambição e orgulho ( ver Mateus 18:02 ) ;  esse  sentido é dado por Orígenes [4]  entre os antigos  e por Calvino e Brugensis entre os modernos .


A comissão em Mateus 28:19 também não contém nela  qualquer preceito para o batismo infantil : " Ide, ensinai todas as nações , batizando-as ... Pois,

3e1f1 . O batismo de todas as nações não está aqui ordenado , mas o batismo só daqueles  que são  ensinados , pois o antecedente do relativo " eles", não pode ser " todas as nações" , uma vez que as palavras panta ta eynh , "todas as nações ", são do gênero neutro e que autouv , "eles", é o masculino , mas mayeutav , os discípulos , é supostamente compreendida  na palavra mayhteusate , " ensinar ", ou " fazer discípulos "; agora o mandamento  é que os que são primeiro ensinados ou feitos discípulos  pelo Espírito de Deus, através do ministério da Palavra, é  que devem ser batizados.


3e1f2 . Se as crianças , como parte de todas as nações, devem ser batizadas , então os filhos de pagãos , turcos e judeus, devem ser batizados , pois eles são uma grande parte de todas as nações, assim como os filhos de cristãos ou crentes , que são apenas uma pequena parte. Sim, se cada pessoa do mundo deve ser batizada, entãos todos os adultos pagãos , assim como os perdulários e sanguinários também devem ser batizados, uma vez que eles são uma parte de todas as nações.


3e1f3 . Discípulos de Cristo são os que conhecem a  Cristo, o caminho da salvação por ele  e não por si mesmos ; isso parece não concordar  com as crianças. Se  as palavras  discípulos e alunos, como é dito , têm o mesmo sentido,  eles não podem ser aprendizes de Cristo sem que tenham aprendido alguma coisa dele. De acordo com esta noção de discípulos e alunos , eles devem aprender alguma coisa com ele , antes de serem batizados em seu nome. Mas o que pode uma criança ser ensinada a aprender de Cristo? Alguns para provar  que crianças são discípulos citam a passagem de  Atos 15:10, o que se torna muito razo provar , porque as crianças não são projetadas em qualquer lugar ali, nem incluídas no caráter;  pois doutrina não pode ser imposta a crianças, mas apenas a pessoas adultas. Ainda que  os professores judaizantes tivessem circuncidado os gentios  e seus filhos, a circuncisão por si mesma  era um jugo insuportável em épocas passadas para os judeus  e seus filhos,  sendo tolerada para salvação e manunteção da lei juntamente  com outros ritos de Moisés.

3e1f4 . Estes dois atos, o ensinar e o fazer discípulos, batizando-as , não devem ser confundidos , mas são dois atos distintos ; o primeiro  é anterior e absolutamente necessário para o segundo. Os homens devem primeiro ser discípulos e  em seguida serem batizados , como assim  observa Jerônimo  [5] sobre a comissão: “Primeiro ensinai todas as nações , em seguida  mergulhe os que são ensinados na água , pois o corpo não  deve receber o sacramento do batismo sem  que a alma tenha recebido antes a verdade da fé”.  Também diz Atanásio [6] :" Portanto , o Salvador não manda simplesmente batizar , mas primeiro diz para ensinar e depois batizar  "Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo ", pois a fé vem do ensino e do batismo o aperfeiçoamento”.


3e2 . Em segundo lugar, não há nenhum precedente para o batismo de crianças na palavra de Deus. Entre o vasto número de pessoas que se reuniram para o batismo de João de todas as partes ,  não lemos que crianças foram trazidas para ele ou que foram batizadas por ele. E, embora mais pessoas foram batizadas por Cristo do que por João , isto é, pelos apóstolos,não há nenhuma menção de qualquer criança batizada por eles , apesar de três mil pessoas serem batizadas de uma só vez , mas não havia uma criança entre eles. Também nos batismos registrados  em Atos dos Apóstolos, em diferentes partes do mundo , não há um único exemplo de batismo infantil. Há, de fato , a menção do batismo de famílias que os pedobatistas  recorrem para  afirmar que havia  crianças entre elas que foram batizadas.  Contudo essa base é muito precária , uma vez que há famílias que não têm crianças. Como eles podem ter certeza de que havia alguma se as escrituras não falam de nenhuma ? Eles precisam provar que havia crianças nesses familias e que essas crianças foram batizadas, doutro modo a alegação deles é sem propósito . Nós somos capazes de provar que há muitas coisas na conta dessas famílias que sejam incompatíveis com  as ações das crianças . Ao demonstrar,  fica evidente que   não havia nenhuma  e que é certo que aqueles que foram batizados eram pessoas adultas e crentes em Cristo .  Existem três famílias que são geralmente instanciadas: a primeira é a de Lídia e sua família ( Atos 16:14- 15 ),  mas nada se sabe sobre o seu estado de vida, se era solteira, casada  ou viúva; se já tivera filhos; se eles ainda eram vivos ou haviam morrido; se adultos ou crianças.  Se crianças,  não parece provável que ela os levaria do seu lugar de origem ( Tiatira) para Filipos onde parece que tinha um negócio e alugara  uma casa durante a sua estadia lá; portanto sua casa parece ter consistido de empregados domésticos que ela trouxe junto com ela  para ajudá-la em seu negócio. O certo é que os apóstolos ficaram  na casa dela  quando saíram  da prisão  e foram confortados e chamados de irmãos por eles , o que supõe que eles tiveram alguma aflição e angústia e precisavam de conforto. O segundo exemplo é o carcereiro e sua família , que consistia de pessoas adultas , pois os apóstolos pregaram a palavra do Senhor para "todos" que estavam em sua casa e eles foram capazes de ouvir e compreender , pois não só o carcereiro se " alegrou " com a boa notícia da salvação por Cristo , mas "todos" em sua casa ouvindo isso  alegraram-se também. A alegria deles era a alegria da fé , pois eram crentes em Deus  Pai, Filho e Espírito. É dito expressamente  que o carcereiro " se alegrou, acreditou em Deus com toda a sua casa”. Isso demonstra  que eles não eram apenas ouvintes da palavra , mas pessoas que acreditavam no Deus revelado para eles (Atos 16:32-34 ) , confirmando que  eles eram  pessoas adultas e não crianças. O terceiro exemplo  é  distinto da casa do carcereiro , que alguns consideram ser o mesmo, mas que é diferente-trata-se de Estéfanas . É  certo que a família de Estéfanas consistia de pessoas adultas , crentes em Cristo, muito úteis ao  serviço da religião. Eles eram as primícias da Acaia , os primeiros convertidos naquelas partes que se " consagraram ao serviço dos santos "(1 Coríntios 16:15). Se se dedicavam ao ministério da palavra aos santos ou do ministério de seus bens aos pobres, deveriam ser pessoas adultas  e não crianças. Logo,não havendo  nem preceito nem exemplo na palavra de Deus para o batismo infantil , pode ser justamente condenado como antibíblico e injustificável .

3e3 . Em terceiro lugar , o batismo infantil não é para ser concluído a partir de qualquer passagem escrita tanto do Antigo como do Novo Testamento . O batismo é uma ordenança peculiar ao Novo Testamento; não se pode esperar qualquer evidência sobre sua  observância no Antigo Testamento; o que pode ser recolhido em relação a ele dos batismos típicos e figurativos sob a dispensação anterior , não é nada a favor do batismo infantil, embora muitas vezes os mesmos sejam referidos pelos pedobatistas , mas sem nenhum propósito .

3e3a . Se por isso se entende a aliança da graça, não é verdade, como tem sido afirmado [7] , que os " filhos dos crentes "  assim como seus pais foram levados em aliança com Deus em períodos anteriores da igreja. O primeiro pacto feito com o homem foi o de obras, feito com Adão , incluía toda a sua posteridade , a quem ele se manteve como cabeça federal.  Como não se tratava de uma aliança da graça, jamais feita com sua descendência natural, quando Adão pecou, todos pecaram, foram condenados  e morreram. Isso certamente não pode ser invocado a favor dos filhos dos crentes ! Após a queda , o pacto da graça, o modo de vida e salvação por Cristo foram revelados a Adão e Eva pessoalmente , mas não à sua descendência natural e posteridade , pois doutro modo toda a humanidade deveria ser tomada no pacto da graça. Assim nada peculiar aos filhos dos crentes encontramos mencionado em toda o período  da igreja que  vai de Adão a Noé . O próximo concerto que lemos foi feito com Noé , o que não incluía  a sua descendência imediata, nem os filhos dos crentes , pois não tinha qualquer sacramento ou rito como um símbolo de que Deus era o seu Deus  numa relação particular. Certamente isso não vai ser dito de Ham , um dos filhos de Noé. Essa aliança foi feita com Noé e com toda a humanidade até o fim do mundo , e mesmo com todos os seres vivos , os animais do campo , prometendo segurança de um dilúvio universal. Assim não tinha nada nela peculiar aos filhos dos crentes. O próximo concerto em que grande ênfase é colocada (Gn. 17:10-14 ) foi feito com Abraão e a sua descendência, e dele  é dito [8 ] ser "o grande ponto da virada em que a questão da controvérsia muito depende . Mas se o pacto de Abraão , que incluiu seus filhos pequenos , deu-lhes o direito à circuncisão , não era a aliança da graça , então a sua base  é tirada , "o direito das crianças ao batismo " e consequentemente os principais argumentos a favor dessa doutrina são derrubados . Agora, se essa aliança não era um puro pacto da graça em distinção do pacto de obras , mas sim um pacto de obras , em breve será provado  e se assim for , então o principal motivo do batismo infantil é tirado e seu principal argumento a favor dele removido. Que o pacto feito com Abraão não era aliança da graça é claro ,  pois


3e3a2 . Parece ser um pacto de obras , uma vez que era para ser mantido por homens  sob pena de multa grave. Abraão era para mantê-lo  e a sua descendência depois dele. Algo que era para ser feito por eles, sua carne  era para ser circuncidada.  Em caso de desobediência ou negligência,  tal alma era para ser extirpada do seu povo : o que mostra que ele não era um pacto da graça , mas de obras .

3e3a3 . Era uma aliança que podia ser quebrada. É dito: " quebrou a minha aliança" (Gn 17:14), enquanto que a aliança da graça não pode ser quebrada ; Deus não vai quebrá-la , nem os homens podem remové-la , pois  com certeza  é mais irremovível do que as  colinas e montanhas (Sl 89:34 ) .


3e3a4 . Havia  coisas nele de natureza civil e temporal , tais como:  a multiplicação de semente natural de Abraão, a saída de reis dele , a promessa de ele ser o pai de muitas nações  e  a posse da terra de Canaã por sua descendência . Essas coisas não podem ter lugar na pura aliança da graça e não tem nada a ver com isso , assim como a mudança de seu nome de Abrão para Abraão.


3e3a5 . Havia algumas pessoas incluídas nele que não podem ser pensadas ​​para pertencer à aliança da graça: Ismael no mesmo pacto com Isaqu e  Esaú profano.  Por outro lado , havia alguns que estavam vivendo quando este pacto da circuncisão foi feito  que mesmo estando no pacto da graça, ficaram de fora,  como Sem, Arfaxade , Melquisedeque, Ló  e outros ; portanto isso nunca pode ser o puro pacto da graça.


3e3a6 . Nem é essa aliança a mesma  que é referida em Gálatas 3:17 que diz ser " confirmada  por Deus em Cristo", que não poderia ser anulada pela lei 430 anos depois , pois a distância de tempo entre elas não concorda, mas fica 24 anos aquém da data do apóstolo e , portanto, não deve se referir ao pacto da circuncisão , mas a alguma outra aliança feita no tempo para uma exposição e manifestação da aliança da graça com Abraão quando da sua chamada para fora da Caldéia (Gênesis 12:1 ) .

3e3a7 . O pacto da graça foi feito com Cristo como o cabeça principal dos eleitos . Desde a eternidade ele é o único cabeça dessa aliança. Se o pacto da graça foi feito com Abraão como cabeça da sua descendência natural e espiritual, isto é, judeus e gentios , deve haver duas cabeças do pacto da graça , o que é contrário à natureza de tal pacto e a  toda a Escritura.  Sim, a aliança da graça , pois refere-se à semente espiritual de Abraão  e as bênçãos espirituais e as promessas  para eles  foram feitas a Cristo (Gl 3:16). Nenhum homem é capaz de fazer um pacto de graça com Deus ,pois o pacto da graça não é feito com qualquer homem solteiro,  nem muito menos com alguém em nome dos outros.  Sempre que  se lê que Deus  fez um pacto com uma  pessoa ou pessoas em particular deve ser entendido da manifestação e aplicação do mesmo,  suas bênçãos e promessas para eles.

3e3a8 . Deve ser negado que o pacto de Abraão -que era de um tipo peculiar  e  misto , com promessas de coisas temporais a ele e a sua descendência natural e das coisas espirituais para a sua descendência espiritual  que ainda  não havia quando o pacto da circuncisão foi dado a Abraão e à sua descendência natural - era uma nova manifestação da aliança da graça feita com ele e sua semente espiritual em Cristo. Também deve ser negado que, assim como  as bênçãos temporais pertenciam a toda a semente natural de Abraão,   assim as bênçãos espirituais pertencem a toda  semente  de Abraão  segundo a carne e toda a descendência natural de crentes gentios . Mas qual o homem sério e inteligente, que sabe alguma coisa do pacto da graça, pode admitir  que  a aliança da graça foi feita com toda a semente de Abraão segundo a carne , isto é, com Ismael  zombeteiro e  perseguidor, com Esaú profano, com toda a sua posteridade remota , os que não criam, cujas carcaças caíram no deserto , com as dez tribos que se revoltaram contra a adoração pura de Deus, com os judeus no tempo de Isaías , uma semente de malfeitores, cujos governantes são chamados de príncipes de Sodoma e as pessoas do povo de Gomorra , com os escribas e fariseus, uma geração má e adúltera nos tempos de Cristo ? ( ver Rom. 9:6, 7). Mas é apenas um remanescente  segundo a eleição da graça  que está neste pacto. Se toda a descendência natural de Abraão não estava neste pacto , dificilmente se pode pensar que toda a semente natural de crentes gentios estão. Apenas  alguns deles estão no pacto da graça  e isso não pode ser conhecido até que eles exerçam fé em Cristo.  Se toda a descendência natural de Abraão e toda a descendência natural de crentes gentios estão no pacto da graça, uma vez que todos os que estão nele  são os escolhidos de Deus , os redimidos do Cordeiro , os chamados  pela graça , santificados  e perseverantes na fé e santidade e eternamente glorificados , então toda a semente natural de Abraão e dos  gentios crentes  deve  ser escolhida  para graça e glória, redimida pelo sangue de Cristo, do pecado, da lei, do inferno e da morte ; toda ela deve ter novo coração e espírito que lhe fora dado, temor de Deus em seu coração, deve ser chamada eficazmente,  os seus pecados perdoados , justificada pela justiça de Cristo, perseverante na graça até o fim e eternamente glorificada ( ver Jr 31:33-34; 32:40; Ez 36:25-27; Rm 8:30). Mas quem vai se aventurar a afirmar tudo isso de um ou de outro ? E depois de tudo ,


3e3a9 . O  interesse do pacto era  determinado,  o que não dava  direito a ordenança sem que houvesse uma ordem positiva e direção de Deus. Havia pessoas que ainda viviam quando o decreto da circuncisão foi nomeado , que tinha um inegável interesse na aliança da graça , como Sem, Arfaxade , Ló e outros, mas que não foram intimados  a  se circucidarem nem tiveram o direito de fazer isso;  por outro lado , havia muitos dos quais não se pode dizer que estavam no pacto da graça,  mas que ainda assim foram obrigados a isso. Do mesmo modo o interesse da aliança não dá direito ao batismo sem que haja um comando para ele . Nem toda a semente infantil dos crentes estão no pacto da graça, o que lhes daria o direito ao batismo , porque uma pessoa pode estar em aliança  e ainda não tem o pré-requisito para uma portaria. A  fé em Cristo  e uma profissão dela são necessárias tanto ao batismo como a Ceia do Senhor .  Se o interesse da aliança exige isso de um , também  é necessário para o outro.


3e3a10 . Embora se dê toda  uma  atenção ao pacto de Abraão (Gênesis 17:1-14 ), é importante observar que ele não foi feito com Abraão  e sua descendência infantil , mas com Abraão  e sua descendência adulta . Crentes e não crentes foram intimados a circuncidar seus descendentes infantis ; não toda a sua descendência infantil , mas apenas os homens . O pacto não podia ser feito com a semente infantil de Abraão , pois a mesma não podia circuncidar -se , mas os pais delas  eram por este pacto obrigados  a isso. Também  outros que não eram da semente natural de Abraão  foram obrigados à circuncisão: "O que é de oito dias de nascido será circuncidado entre vós , mesmo não sendo da tua descendência " (Gn 17:12) . O que nos leva a observar ,

3e3b . O batismo dos filhos de crentes gentios  em nada  pode ser concluído a partir da circuncisão dos bebês judeus  .  Se houvesse um mandamento  para o batismo dos filhos de crentes gentios  sob a dispensação do Novo Testamento , como houve para a circuncisão dos bebês judeus  sob a  velha dispensação , não haveria nenhuma controvérsia sobre esse assunto; mas nada desse tipo aparece,  pois


3e3b1 . Não está claro que até mesmo as crianças judias foram admitidas na aliança com o rito da circuncisão  que  é invocado para o batismo dos filhos dos crentes, pois a semente fêmea de Abraão entrou no pacto assim como a sua descendência masculina, mas não por qualquer " rito visível" ou cerimônia; nem a sua descendência masculina foi admitida por qualquer rito , nem mesmo pela circuncisão , por que não deveriam ser circuncidados até o oitavo dia , circuncidá-los mais cedo teria sido criminoso , mas mesmo assim já estavam em aliança desde o seu nascimento , o que  eu presumo  e não será negado , que esse pacto era nacional, pois mesmo sem a circuncisão eles estavam tão cedo nele.  Os israelitas não haviam circuncidado os seus bebês  quando estavam  em Horebe nem  quando entraram em aliança com o Senhor seu Deus (Dt 29:10-15 ) .

 
3e3b2 . A circuncisão não era o selo do pacto da graça sob a dispensação anterior , nem o batismo é um selo no tempo presente.  Se a circuncisão fosse  um selo do pacto de graça, então todos de Adão  a Abraão ficaram de fora dele. A circuncisão  é chamada de  sinal ou símbolo , mas não é um selo .  Ela era um sinal ou marca na carne da semente natural de Abraão ; um sinal típico da poluição da natureza humana  e da circuncisão interior do coração , mas não nenhum selo  confirmando qualquer bênção espiritual do pacto de graça para aqueles que tiveram essa marca ou sinal. Na verdade a circuncisão  é chamada de  "selo da justiça da fé" (Rm. 4:11) , mas não um selo para a semente natural de Abraão  , mas apenas para o próprio Abraão  era um selo, um sinal de confirmação , assegurando-lhe que a justiça da fé que ele tinha antes de ter sido circuncidado adviriam aos crentes gentios não circuncidados , por isso ela foi mantida em seus descendentes naturais  até que a justiça fosse pregada , recebida e imputada aos gentios crentes .


3e3b3 . O batismo  não sucede  a circuncisão, pois não há acordo entre um e  outro  quanto aos indivíduos  a quem foram administrados , ao uso de um e do outro e a forma de administrá-los. O batismo foi administrado a  judeus e gentios , a homens e mulheres e a pessoas adultas  apenas ; a  circuncisão era usada  para distinguir a semente natural de Abraão das outras; o batismo é o emblema da descendência espiritual de Cristo  e a indagação de uma boa consciência para com Deus  e  a representação dos  sofrimentos , sepultamento e ressurreição de Cristo;  uma foi pelo sangue  e a outra pela água.  Ordenanças muito diferentes quanto ao uso,  administração e pessoas a quem foram  administradas nunca podem ser cogitadas  como uma sucedendo a outra  . Além disso, o batismo estava em uso e vigor antes da circuncisão ser abolida, o que não foi até à morte de Cristo. A doutrina do batismo foi pregada  e a própria ordenança administrada alguns anos antes . Agora se estava em vigor antes da outra ser ab-rogada, nunca, com qualquer propriedade pode ser dito ter sucedido ou entrado  na sala do outro . Ademais, se este era o caso , como a circuncisão deu o direito de celebrar a páscoa, isso seria o batismo para a Ceia do Senhor, que ainda não havia sido instituída. Agora, como não há nada no Antigo Testamento que aprove o batismo infantil , então não há passagens no Novo que possam ser a favor dele.

3e3b3a . O texto em Atos 2:39 : "A promessa é para vós e vossos filhos ..." é citado como referência à aliança feita com Abraão, dando a seus filhos o direito à circuncisão;  é instado como razão para os judeus batizarem seus filhos, assim como os gentios e a descendência deles quando enxertados na igreja. Mas ,

3e3b3a1 . Não há a menor menção feita no texto ao pacto com Abraão  ou a qualquer promessa feita a ele, dando a sua semente infantil o direito à circuncisão e menos ainda ao batismo . Não há a menor sílaba sobre o batismo infantil nessa passagem, nem qualquer indício dele é apresentado.  O que é possível concluir  que pelo termo "filhos" não  são bebês aqui projetados , mas a posteridade dos judeus que assim é freqüentemente chamada nas escrituras  , embora crescida. A menos que  assim seja entendido em muitos lugares , interpretações estranhas serão dadas ; portanto o argumento aqui  para  o pedobatismo é dado por alguns homens instruídos  como o Dr. Hammond e outros  como inconclusivo.


3e3b3a2 . A promessa , seja o que for, não deve ser compreendida como um direito ou pretensão a qualquer mandamento , mas como um motivo para incentivar pessoas que estão em pecado a arrepender-se ,declarar o seu arrependimento e produzir uma submissão voluntária à ordenança do batismo, quando se poderia esperar que a remissão dos pecados seria aplicada a elas, e elas deveriam receber uma medida maior da graça pelo Espírito. Portanto o arrependimento e o batismo são instados a fim de serem beneficiados pela promessa; consequentemente isso se refere  a pessoas adultas que são capazes de arrependimento e submissão voluntária ao batismo.


3e3b3a3 . A promessa não é outra senão a promessa de vida, salvação em Cristo, remissão dos pecados pelo seu sangue e aumento da graça pelo seu Espírito. As pessoas exortadas nessa passagem haviam pedido que o sangue de Cristo caísse sobre elas e a sua posteridade,e o apóstolo para aliviar a angústia delas declara-lhes  que a mesma promessa que estava sendo feita a elas também pertecia a sua posteridade, desde que fizessem como lhes fora pedido. " A tantos quantos o Senhor nosso Deus chamar "  é tido como referência a  todos os judeus que estavam em países distantes e em tempos futuros , que olhariam para Cristo, chorariam, se arrependeriam e creriam nele, sendo batizados posteriormente. Também os gentios são por vezes descritos como aqueles que " estão longe ";  a cláusula delimitativa acima é uma referência a todos que seriam chamados  pela graça a  se arrepender , crer e ser batizados. Por conseguinte nenhuma menção é feita a semente infantil, mas a pessoas , sejam judeus ou gentios , eficazmente chamadas pela graça , motivadas  a  professar arrependimento e a submeter ao batismo; isso  só pode ser entendido a adultos e não crianças .


3e3b3b . Nem Romanos 11:16 : " Se as primícias são santas ...” é favorável ao pedobatismo, pois

3e3b3b1 . Pelos primeiros frutos , raiz e ramos, não se deve entender de  Abraão e sua posteridade ou semente natural  como tal , mas os primeiros entre os judeus que acreditaram em Cristo , fundaram a primeira igreja evangélica e foram incorporados primeiro nela; ser santo é uma promessa da futura conversão e santidade que as pessoas terão no último dia.

3e3b3b2 . Nem pela boa oliveira  depois mencionada se entende  o estado da igreja judaica abolida por Cristo  com todas as ordenanças peculiares dela; nem  foram os crentes gentios enxertados nela , pois o machado foi posto  a raiz desse antigo estado e ele foi completamente cortado e não um enxertamento foi feito em cima dela. Mas ,

3e3b3b3 . Destina-se  o estado da igreja evangélica  em sua primeira fundação , composta por  judeus provenientes da igreja estatal  que acreditaram  em Cristo. Os ramos que  não creram foram  quebrados  e  os gentios recebidos e enxertados .  O enxertamento ou coligação  foi feito pela primeira vez em Antioquia quando os gentios participaram  da raiz e da seiva da oliveira, desfrutaram dos mesmos privilégios comunicados nos mesmos estatutos  e ficaram satisfeitos com a bondade da seiva da casa de Deus. Essa  igreja evangélica pode ser verdadeiramente chamada  pelos judeus que serão enxertados no último dia de sua " própria oliveira”. Desde  que a primeira igreja evangélica foi criada em Jerusalém e fora do estado  dos  judeus ,  as primeiras igrejas  do evangelho consistiam de judeus , os primeiros frutos desses queridos convertidos. De tudo  que fora exposto ,não há a menor palavra  sobre o batismo, nem muito menos do batismo infantil na passagem , nem nada pode ser concluído a partir daí  em favor do mesmo.


3e3b3c . Nem a partir de 1 Coríntios 7:14 " Porque o marido incrédulo é santificado pela mulher , e a mulher incrédula é santificada pelo marido ;  de outra sorte os vossos filhos seriam imundos , mas agora são santos ; ", que é por alguns  entendido de uma santidade  que  dá direito aos privilégios  da aliança assim como ao batismo. Mas

3e3b3c1 . Como vimos ,  esses privilégios do pacto não dão direito a qualquer portaria  sem o consentimento divino , nem o batismo é um selo da aliança. Deve-se analisar  se essa santidade do pacto é  imaginária ou real , pois ela se distingue da santidade interna.  Mas o próprio texto  rejeita  ser aquele o sentido do texto , uma vez que tal santidade nunca pode qualificar pessoas para uma ordenança do Novo Testamento.  No  pacto da graça a santidade pertence a própria graça  ;  é ela que fornece , por meio de promessa , a santidade real, através das leis de Deus no nosso coração. O direito inquestionável ao batismo é dado quando   possuímos novos corações,  novas disposições de espírito ; quando somos limpos de toda impureza  e a  verdade, a santidade interna  se demonstram  em uma conversa santa, já que recebemos o Espírito Santo com um espírito de santificação (Atos 10:47 ) . Mas esse não pode ser  o significado do texto , pois

3e3b3c2 . É uma santidade que os pagãos podem ter ;  aos maridos  e esposas  descrentes  é dito tê-la  em virtude de sua relação com esposas e maridos crentes ; isso é  anterior à santidade de seus filhos,  sobre as quais eles dependem . Certamente a santidade do pai incrédulo é igual a de suas crianças.

3e3b3c3 . Se as crianças  em virtude dessa  santidade  têm direito ao batismo , então muito mais seus pais incrédulos , uma vez que  são  santificados  antes deles por seus fiéis companheiros e  são tão próximos a eles quanto seus filhos . Se a santidade de um dá direito ao batismo , por que não a santidade do outro? Se os filhos são santificados pelos pais, pois a santidade falada , seja ele qual for, é derivada de ambos os pais- crentes e descrentes- por que ainda assim apenas os filhos são batizados e não também os pais incrédulos que são santificados antes de seus filhos? A santidade das crianças depende da santificação do pai incrédulo, porque, se o descrente não é santificado , as crianças são impuras e não santas. Mas,

3e3b3c4 . Estas palavras devem ser entendidas de santidade matrimonial  e até mesmo ao próprio ato do casamento. Na língua dos judeus  são freqüentemente expressas por ser santificados ; a palavra VDQ  para " santificar" é usada em inúmeros lugares nos  escritos judaicos [9] como " desposar ";  com o mesmo sentido o apóstolo usa a palavra agiazw aqui : " o marido incrédulo é desposado " ou casado "pela mulher ", ou melhor, "foi casado ", pois se refere a um ato depois do casamento  como válido ; e “a mulher descrente foi  desposada  para o marido”;  a preposição en  traduzida como " pelo " deve ser lida  " para ",  como se encontra no seguinte versículo : "Deus nos chamou  en eirhnh  “para a paz". A inferência do apóstolo  " de outro  modo  os vossos filhos seriam imundos ", ou seja, ilegítimos, era caso  os pais não estivessem  legalmente casados uns com os outros.  “Mas agora são santos ", uma semente santa e legítima  como em Esdras 9:02 ( ver Ml 2:15). Nenhum outro sentido, além de casamento ou descendência legítima,  pode ser dado às palavras acima; nenhuma outra interpretação  melhor se adéqua  ao  caso proposto pelo apóstolo  e a sua resposta a ele. Essa  interpretação  é aceita  por muitos intérpretes antigos  como Jerônimo, Ambrósio   e modernos como  Erasmus, Camerarius , Musculus e outros.


Existem algumas objeções contra a prática do batismo de pessoas adultas que, sendo de pouca  força, são facilmente refutadas em poucas palavras.


3e3b3c4a. Objeta-se que embora o batismo seja dado apenas  a  pessoas adultas que tenham a capacidade de se arrepender e crer no evangelho, eles  não são os únicos a recebê-lo. Mas se os outros não podem ser nomeados como batizados,  e as pessoas  descritas  nas escrituras que receberam o batismo foram apenas  adultos e não crianças, então é  razoável concluir que apenas aqueles que tenham capacidade  se arrepender e crer são os únicos capacitados a receber o batismo.


3e3b3c4b . Objeta-se que o batismo dos filhos adultos dos cristãos não tem nenhum exemplo bíblico , o que é exigido de nós um exemplo agradável para nossa prática , uma vez que os primeiros batizados eram convertidos ou do judaísmo ou do paganismo  e sobre esse batismo de adultos, como  dizem, não há controvérsia . Mas a nossa prática não é nada subordinada  aos pais dos batizados por nós , quer sejam eles cristãos, judeus, turcos  ou pagãos . A nossa prática é com os  próprios batizados:  se são crentes  em Cristo ou não. Se eles  são adultos ainda não batizados, descendentes de cristãos, isso não é nenhuma objeção para nós.  E mesmo  os que não são filhos de cristãos  não sendo crentes , não são admitidos ao batismo. Apenas aceitamos o batismo dos filhos adultos de todos aqueles que, sem quebra de caridade, podem ser considerados cristãos. Quanto às primeiras pessoas que foram batizadas , elas não eram nem prosélitas do judaísmo nem do paganismo , mas a descendência dos cristãos , de tal forma que os que acreditavam no Messias , os santos antes  da vinda de Cristo e na sua vinda , eram tão bons cristãos como os que viveram  depois de Cristo. Os bons homens que viveram antes de Abraão e aqueles que viveram depois dele até  a vinda de Cristo , conforme observa Eusébio [10] eram cristãos verdadeiros , embora não de nome. Judaísmo no momento da vinda de Cristo era o mesmo com o cristianismo , e não uma oposição a ele , de modo que não havia tal coisa como a conversão do judaísmo ao cristianismo. Zacarias e Isabel , cuja descendência João Batista foi o primeiro  e Maria, a mãe de nosso Senhor , que foi batizado por João quando adulto, eram bons cristãos e fortes crentes no messias antes de ele nascer e até mesmo quando ainda estava no ventre . Essa certamente era a prole adulta de cristãos assim como eram  os apóstolos de Cristo  e os primeiros seguidores dele. Não se pode dizer convertido do judaísmo ao  cristianismo, pois o judaísmo não existe  até a oposição a Jesus ser o Messias torna-se geral e nacional . Após isso, aqueles da nação judaica que acreditavam em Cristo , pode -se dizer que eram os prosélitos do judaísmo ao cristianismo , como o apóstolo Paulo e outros.  Do mesmo modo a conversão  feita pela pregação do Evangelho entre os gentios: eles eram prosélitos do paganismo ao cristianismo.  Não é razoável exigir de nós  exemplos da prole adulta de crentes  sendo batizada e acrescentada às igrejas , uma vez que a história das escrituras das primeiras igrejas contidas nos Atos dos Apóstolos  só dá conta do primeiro plantio delas  e do batismo daqueles que primeiro consentiram , mas não das adições dos membros em tempos posteriores. Exemplos de filhos de crentes batizados em idade adulta não podem  ser razoavelmente exigidos de nós;  mas , por outro lado , se crianças foram admitidas ao batismo nestes tempos , mediante a fé e o batismo de seus pais ,  é estranho que entre os muitos milhares batizados em Jerusalém , Samaria , Corinto e em outros lugares não haja um exemplo  desses pais trazendo seus filhos com eles para serem batizados, reivindicando o privilégio do batismo para eles sobre a sua própria fé , nem do seu fazer isto em qualquer momento depois . Este é um processo que não requer um período de tempo, mas  não há  único exemplo a ser apresentado.

3e3b3c4c. Objeta-se que o tempo não pode ser atribuído quando os bebês foram expulsos do pacto ou cortado o selo dele. Se pelo pacto se destina a aliança da graça, deve-se primeiro provar que toda a semente natural do judeus assim como toda a semente natural dos crentes  estão no mesmo pacto; mas isso não pode ser feito, ao menos que se possa  demonstrar como e quando se deu essa  expulsão. Se por ela se entende a aliança de Abraão, o pacto da circuncisão, a resposta é que o corte fora feito quando a circuncisão deixou de ser uma ordenança de Deus; isso se deu com a morte de Cristo. Se por ela se entende a aliança nacional dos judeus, a expulsão dos  pais judeus  com seus filhos, foi quando Deus escreveu a  " Lo-Ami” sobre o povo, como um corpo político e eclesiástico, simbolizando a quebra  da aliança com eles.
3e3b3c4d. Um grande clamor é feito contra nós ao dizer que cerceamos os privilégios das crianças, negando-lhes o batismo, fazendo a dispensação do evangelho ser menos gloriosa que a da lei.Mas a dispensação do evangelho não sendo nacional e carnal como a anterior, todavia congregacional e espiritual, não consistindo de crianças sem compreensão , contudo de homens racionais e espirituais - os crentes em Cristo- e estes não mais de um único país, como da Judéia, não obstante de todas as partes do mundo, os privilégios das crianças são maiores e melhores do que aqueles facilitados a partir do doloroso rito de circuncisão. É uma rica misericórdia e um glorioso privilégio da dispensação do evangelho que os filhos dos crentes judeus e gentios não são mais obrigados a circuncisão, o que os obrigaria a cumprir toda lei.  A partir desses fatos, as crianças nascidas de pais cristãos, que têm uma educação cristã e que dispõem de oportunidades de ouvir o evangelho à medida que crescem, e isto não apenas em um país, mas em muitos, têm maiores privilégios que as crianças judias tiveram sob a dispensação anterior.

3e3b3c4e . Objeta-se   que assim como o batismo infantil , não há mandamentos  explícitos nas Escrituras para manter o primeiro dia da semana como o sábado , nem as mulheres participar da Ceia do Senhor . Quanto ao primeiro , embora não haja preceito expresso para observância  do domingo como o sábado judaico, ainda há precedentes de sua  observância  para os serviços religiosos (Atos 20:7; 1 Coríntios 16:1-2 ). O mesmo não pode ser  observado  para  batismo infantil ; o que nos leva a considerar que não somos  obrigados  praticá-lo. Quanto ao direito das mulheres  de  participar da Ceia do Senhor, temos provas suficientes que mulheres assim como  os homens foram batizadas  e se tornaram membros da primeira igreja. Ora, se as mulheres tiveram direito à ordenança do batismo  e de se tornarem membros da igreja, também tiveram à ordenança da ceia ( Atos 8:12; 1:14; 5:1,14 ).  Também temos o argumento  para palavra “homem", anyrwpov,  que é do gênero comum, sendo usada tanto para homens como  para mulheres (1 Coríntios 11:29; ver Gl 3:2 ). Ademais  Maria, mãe de nosso Senhor , e outras mulheres sendo  do número dos discípulos  que constituíram a igreja evangélica em Jerusalém,  perseveravam unanimemente na doutrina dos apóstolos , e na comunhão, e no partir do pão , e nas orações. A mesma quantidade de provas não pode ser dada  ao batismo infantil.

3e3b3c4f . A Antiguidade é instada a favor do batismo infantil . Essa tradição é fingida ser recebida dos apóstolos , embora nenhuma prova possa ser dada sobre isso além do testemunho de Orígenes , todavia nenhum outro antes dele . Não de seus escritos gregos genuínos, mas de algumas traduções latinas confessadamente interpoladas  e  corrompidas  que com propriedade é dificil atribuir a sua autoria a Orígenes. Nenhuma menção do batismo infantil é feita nos dois primeiros séculos , nenhum exemplo é dado até o terceiro , quando Tertuliano é o primeiro a falar sobre isso, e assim mesmo contra ele [11] . E mesmo se existissem provas nos anos  iniciais do cristianismo,  isso seria de pouca força , a menos que pudesse ser provado a partir das Sagradas Escrituras , nossa única regra de fé  pela qual as coisas em debate devem  ser julgadas e decididas. Sabemos que as inovações e corrupções muito cedo entraram na igreja , até mesmo nos tempos dos apóstolos . O pedobatismo é fingido ser uma tradição dos apóstolos , o que é suspeito ser uma  tradição dos falsos apóstolos [ 12 ]. A  antiguidade de uma prática não é prova da verdade e autenticidade da mesma [13 ], pois “os costumes dos povos são vaidade " (Jr 10:3 ) .

4 . Em quarto lugar , eu provo que  o modo correto de batizar é por imersão , mergulhando o corpo todo na água. Embora haja controvérsias sobre esse assunto , o consenso geral é que a imersão é a forma  própria do batismo. Dizer que a imersão é o modo correto  de batismo é a mesma coisa que dizer que mergulhar é o modo de imersão , pois,  conforme observa  Sir John Floyer [14] que a " imersão não é nenhum modo circunstancial , mas o próprio ato do batismo, usado por nosso Salvador e seus discípulos na instituição da ordenança” . Calvino [15] diz expressamente : "A palavra " batizar "significa mergulhar  e é certo  que o rito de mergulhar era usado pelas igrejas antigas”. E quanto à aspersão, não  se pode com propriedade  ser chamada de modo  correto de batismo , pois isso seria um contra-senso, uma vez que  imersão e mergulho são praticamente sinônimos da palavra batismo.  Daí por que o culto Selden [16]  no início de sua vida pôde ver  crianças sendo mergulhadas em fontes , mas viveu para ver a imersão ser  abandonada, o que  o levou a dizer: " na Inglaterra, nos últimos anos , eu sempre pensei que o pároco batizava seus próprios dedos ao invés da criança” . Que o batismo é a imersão do corpo todo na água pode ser provado,

4a.A partir do significado adequado da palavra baptizw, "batizar", que em seu sentido primário e principal significa "mergulho ou mergulhar", e desse modo é processada pelos nossos melhores lexicógrafos, "Mergo", "immergo" "imergir ou mergulhar;" e em sentido secundário e conseqüente ", abluo, lavo", "lavar", porque o que é mergulhado é lavado, não havendo , portanto, lavagem mais adequada do que por meio da imersão. Batizar nunca deve ter o sentido "derramar ou borrifar", pois assim atesta o léxico publicado por Constantino, Budæus, Adriano Junius, Plantinus, Scapula, Stephens, Schrevelius, Stockius, além de um grande número de críticos, como Beza, Casanbon e outros. Se nossos tradutores de fato adotassem a palavra grega baptizar no sentido de “mergulhar” em todos os lugares onde a ordenança do batismo é feita menção, deixando de lado a controvérsia sobre a maneira de batizar , não haveria nenhuma dúvida sobre o modo correto de proceder o batismo.


4b. Dos locais escolhidos para a administração do mesmo, como o rio Jordão por João, onde ele batizou a muitos e onde nosso Senhor foi batizado por ele (Mateus 3:6-16).  Mas por que ele escolheu o rio para batizar senão para administrar a ordenança por imersão? Se tivesse sido feito de outra maneira, não havia motivo para qualquer confluência de água, muito menos um rio [17], uma bacia de água seria suficiente. De João também se diz que "estava batizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas" (João 3:23). Isso era conveniente para o batismo e não, como muitos erroneamente argumentam, por que era um local  que fornecia água  aos  homens e a seu gado. Somos da mesma opinião de Calvino sobre o texto : " O batismo administrado por João a Cristo foi por imersão do corpo inteiro sob a água”. Posição análoga é corroborada por Piscator, Aretius, Grotius  e outros.


4c . Pela maneira como foi administrado antigamente ; isso é claro a partir de vários casos de batismos  registrados nas Escrituras como o de nosso Senhor o qual lemos : "Quando ele foi batizado , subiu logo da água ". Supõe-se que ele tinha entrado na água  como assim infere Piscator, pois ele havia saído da água; portanto, ele desceu para dentro da água  e foi batizado no próprio rio.  Se o batismo não tivesse sido administrado por imersão, mas aspergindo ou derramando um pouco de água sobre a sua cabeça, como o pintor ridiculamente descreve Cristo e João de pé no meio do rio,não haveria necessidade de ele descer à agua , pois um pouco dela já seria o suficiente.É  certo que ele foi batizado no Jordão como diz o evangelista Marcos (Marcos 1:9 ); não nas margens do Jordão , mas nas águas do mesmo , razão pela qual ele entrou  e quando batizado " saiu " do rio. Não "da" , mas " fora " da água; apo e ex possuem o mesmo significado como em Lucas 4:35, 41. Essas preposições  são usadas  na versão Septuaginta do Salmo 40:2 e conforme observam vários  lexicógrafos de Xenofonte,  ex e  apo são " aequipollent ". O batismo do eunuco é outro exemplo do batismo por imersão.  A narração diz primeiramente que Filipe e o eunuco “ chegaram ao pé de alguma água "  e  depois do batismo ser acordado, “ desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou. E quando saíram fora da água”... Isso em parte atenua o argumento daqueles que dizem que Filipe  e o eunuco ficaram à margem  da água e ali se procedeu o batismo. Agora nós sabemos que as pessoas podem ir para dentro da água e sair dela sem ser  imersos, mas quando é dito expressamente  que Filipe e o eunuco entraram na água  e lá ele  batizou o eunuco, as circunstâncias corroboraram fortemente , mesmo sem  a definição da palavra          " batizado ", que o batismo do eunuco foi por imersão. Por essas circunstâncias não posso concordar com qualquer outra forma de administrá-lo, nem penso eu, que um homem em seu inteiro juízo  possa imaginar que Filipe desceu com o eunuco às águas para polvilhar ou derramar um pouco de água sobre ele para em seguida sair da água.  Portanto, como o comentarista aprendeu acima , Calvino, sobre o texto diz: " Aqui vemos claramente qual era a maneira de batizar dos antigos  , pois eles mergulhavam todo o corpo na água". Barnabé [18] , um escritor apostólico do primeiro século , mencionado nos Atos dos Apóstolos  como um companheiro do apóstolo Paulo , descreve o batismo , indo para baixo da água e subindo quando saía dela : "Nós descemos ", diz ele," na água cheios de pecado e sujeira  e subimos , trazendo frutos no coração e esperança em Jesus  por meio do Espírito " .

4d . O fim do batismo, que é representar o sepultamento de Cristo, não pode ser simbolizado de qualquer outra forma que não seja por imersão, cobrindo o corpo todo na água. Que o batismo é um símbolo do sepultamento de Cristo é claro a partir de Romanos 6:4 e Colossenses 2:12 . Seria interminável citar o grande número , mesmo de escritores pedobatistas, que ingenuamente reconhecem a alusão a essas passagens ao antigo rito da imersão.Todos que estão mortos estão enterrados . Do mesmo modo aqueles que se professam cristãos, estão todos mortos para o pecado e para a lei pelo corpo de Cristo , simbolizado pelo batismo. Como de ninguém pode ser dito está enterrado se não estiver sob o chão e coberto com terra , do mesmo modo  não pode ser dito ao que vai ser batizado se ele não for colocado sob a água e coberto com ela; nada menos do que isso pode ser uma representação do enterro de Cristo e nosso enterro com ele ; não pelo polvilhar ou derramar um pouco de água sobre a face , pois de um cadáver não pode ser dito que foi enterrado quando um pouco de terra ou pó são vertidos sobre ele.


4e . Isto pode ser concluído a partir dos vários batismos figurativos e típicos mencionados nas escrituras. Como ,

  4e1 . Das águas do dilúvio que Tertuliano chama [19] o batismo do mundo  e o apóstolo Pedro diz ser  o protótipo do batismo (1 Pedro 3:20-21). A arca em que Noé e sua família foram salvos pela água era ordenança de Deus feita de acordo com o padrão que ele deu a Noé . Assim como a arca foi objeto de  escárnio dos homens, assim  é com o decreto de batismo quando  devidamente administrado. A arca era representativa de um enterro, pois quando Noé e sua família entraram , suas portas se fecharam e  as fontes do grande abismo foram divididas, as janelas dos céus se abriram encima da arca; a impressão era que a arca e os que estavam dentro dela estivessem imersos  na água : isso era uma figura do batismo por imersão. Como não havia nenhuma criança , mas apenas pessoas adultas que foram salvas pela água , então nenhuma criança, mas pessoas adultas são os temas próprios do batismo nas águas.  Ademais,  embora houvesse alguns que estavam na arca , isso teve um efeito salutar para eles:  foram salvos pela água , assim como os que verdadeiramente crêem em Cristo e são batizados devem ser salvos. A ressurreição de Jesus Cristo tipificada  pela saída de Noé e sua família da arca era como o antítipo do  batismo , um emblema do mesmo (Rm 6:4-5 ; Colossenses 2:12 ) .

  4e2 . Da passagem dos israelitas sob a nuvem e pelo mar , quando  eles “foram batizados em Moisés , na nuvem e no mar" (1 Coríntios. 10:1-2). Há várias coisas nessa  passagem  que concordam com o batismo : os que seguiam  Moisés  foram dirigidos  por ele  para o mar, indo adiante dele ; assim no batismo Cristo deu-nos  um exemplo para trilhar seus passos ; como os  israelitas foram batizados em Moisés, assim os crentes são batizados em Cristo; O batismo  dos israelitas na nuvem e no mar foi após a saída do Egito , no início da jornada através do deserto para Canaã , assim o batismo é administrado aos crentes  quando saem  da escravidão do Egito espiritual, quando iniciam sua peregrinação cristã com alegria; Moisés e os filhos de israel cantaram após a travessia do mar, do mesmo modo o eunuco depois do batismo continuou o seu caminho cheio de alegria.  Mas principalmente essa passagem era uma figura do batismo por imersão: os israelitas estavam "sob a nuvem ", debaixo da água e cobertos  por ela  como pessoas batizadas são pela imersão ; os israelitas passaram pelo meio do mar, uma parede de água em ambos os lados , com a nuvem sobre eles , assim ficam imersos os  que vão às aguas do batismo.  Por isso, segundo Grotius sobre essa passagem , se diz que os israelitas foram  batizados na nuvem e no mar.




4e3 . Das várias lavagens , batismos ou batizados dos judeus, que são chamados de " várias " por causa das diferentes pessoas e coisas lavadas ou mergulhadas como observa  Grotius e não por causa dos diferentes tipos de lavagem , pois apenas uma maneira de lavagem era a correta:  a imersão, pois o polvilhar de água sobre eles não podia ser tido como uma lavagem. Os  judeus tiveram suas aspersões , que eram distintas das lavagens ou batismos por imersão . É  sempre uma regra entre eles que  na lei da lavagem da carne ou das roupas  é mencionado, nada mais do que Pwgh lk tlybj " a imersão do corpo inteiro " em uma pia , pois, para eles,  se uma pessoa tiver lavado todo o corpo, mas o dedo mindinho permanecer sujo, ainda está em sua impureza [20].


4e4. A partir dos sofrimentos de Cristo chamados de batismo: "Eu tenho um batismo para ser batizado ...” (Lucas 12:50); não o batismo nas águas, nem o batismo do Espírito Santo, pois elehavia sido batizado neles, mas o batismo de seus sofrimentos que  ainda estava por vir, o qual  estava desejoso que logo fosse levado a cabo. Os sofrimentos de Cristo são chamados de batismo em alusão ao batismo, ou imersão, devido a abundância deles. Às vezes é representado por águas profundas e inundações de águas onde Cristo é representado como oprimido, mergulhado e coberto com eles (Sl 62:7; 69:1-2).

4e5. A partir da doação extraordinária do Espírito Santo e seus dons e sua descida sobre os apóstolos no dia de Pentecostes, que é chamado de "batimo" (Atos 1:5, 2:1, 2), pois é expressiva da grande abundância deles, em alusão ao batismo ou imersão, em sentido próprio, como Casaubon [21] observa: "Considero neste lugar o significado próprio da palavra baptizein, imergir ou mergulhar. Neste sentido os apóstolos foram realmente batizados, pois a casa em que isso isso se deu ficou cheia do Espírito Santo, de modo que os apóstolos pareciam estar mergulhados nele". Todos os batismos típicos e figurativos servem para reforçar o sentido próprio da palavra, uma vez que significa uma imersão do corpo, cobrindo-o em água, conforme o significado da palavra empregada ali. Nem o significado próprio da palavra batizar em Marcos 7:04 e Lucas 11:38 é para ser usada em sentido diferente de imergir. No primeiro caso se diz: "Se não se purificarem, baptizwntai, batizarem ou mergulharem, não comem " e nele se faz menção de baptismwn", lavagens "de copos, potes, vasos de bronze, mesas e camas"; no último, do fariseu é dito maravilhar-se com Cristo, pois ele não havia se abaptisyh, lavado ou mergulhado antes do jantar." Todas essas lavagens estão de acordo com as tradições supersticiosas dos anciãos aqui referidos, que mergulhavam todos os casos aqui mencionados. Isso serve mais para confirmar o significado da palavra defendida, pois os fariseus ao tocar as pessoas comuns ou suas roupas quando voltavam do mercado ou de qualquer tribunal eram obrigados a mergulharem-se na água antes de comer e assim também fazem os judeus Samaritanos [ 22]. "Se os fariseus, diz Maimônides [23], tocarem as roupas das pessoas comuns, eles se contaminam como se tivessem tocado uma pessoa com fluxo de sangue, logo precisam de imersão”. Scaliger [24], sobre os judeus, observa: "Que a parte mais supersticiosa deles, todos os dias, antes se sentaram à mesa molham todo o corpo; daí a admiração dos fariseus em Cristo" (Lucas 11:38). E não só copos, panelas e vasos de bronze são lavados por imersão ou colocados na água como os vasos imundos são lavados de acordo com a lei (Lv 11:32), mas até camas, almofadas e travesseiros imundos em um sentido cerimonial são lavados desta forma, de acordo com as tradições dos anciãos referidos, pois eles dizem [25]: "Uma cama totalmente impura pode se tornar pura se um homem a mergulhar parte por parte”. Ainda [26]: "Se ele mergulha a cama numa piscina, embora os pés dela fiquem mergulhados no barro de espessura (no fundo da piscina), é limpa." Das almofadas e travesseiros, assim eles dizem [27]: "um travesseiro ou uma almofada de pele quando um homem levanta a boca deles para fora da água, a água que está neles serão escoadas.O que deve ser feito? Ele deve "mergulhá-las" e levantá-las por suas franjas ". Assim, de acordo com essas tradições, as várias coisas mencionadas foram lavadas por imersão, e em vez de enfraquecer, fortalecem o sentido da palavra usado aqui.As objeções contra a imersão tiradas de alguns casos de batismos registrados nas Escrituras não são de muito peso. Das três mil pessoas em Atos 2, pode-se observar que, embora estas foram acrescentadas à igreja num só dia, não se segue que foram batizadas num só dia. Mas partindo do quantitativo de pessoas que poderiam administrar o batismo temos: doze apóstolos,  o que daria duzentos e cinqüenta pessoas para cada um ; além disso havia setenta discípulos ou administradores do batismo, o que somaria oitenta e duas pessoas, reduzindo o número acima para trinta e seis ou trinta sete pessoas para cada um . Ademais  a diferença entre  imersão e aspersão é muito insignificante, uma vez que a mesma forma de palavras é utilizada tanto em uma quanto na outra; portanto, a imersão pode ser feita  em  um dia e numa pequena parte dele [28]. Também não pode haver nenhuma objeção no que diz respeito à conveniência para a administração do batismo  pela falta de água e locais suficientes para batizar, pois havia número suficiente de banheiras particulares em Jerusalém para a impureza cerimonial, muitas piscinas na cidade e vários locais no templo para tal uso, como a sala de mergulho do sumo sacerdote, o mar de fundição para os sacerdotes comuns e as dez pias de bronze, cada uma das quais realizavam quarenta banhos , suficiente para a imersão do corpo inteiro. Todos esses locais descritos  lhes eram permitidos, pois eles  haviam "caindo na graça de todo o povo". No que diz respeito à troca de roupas que deveria ser feita após o batismo, os discípulos traziam roupas para os outros e para si. Outra oposição que fazem  é ao batismo de Saulo (Atos 9:18) que deveria ser feito na casa onde ele estava, não necessariamente assim sucedeu, mas o contrário, uma vez  que ele se levantou de onde estava a fim de ser batizado.  Se o batismo foi administrado na casa de Ananias, é altamente provável que havia uma banheira na casa dele para ser realizado, uma vez que na casa dos judeus era habitual ter locais para lavar todos os seus corpos em certas ocasiões. Mas se o batismo de Paulo tivesse sido  realizado por aspersão ou derramamento de um pouco de água sobre ele, não precisava se levantar para essa finalidade. Além disso, ele não se levantou  apenas  para ser ser aspergido”, o que soaria muito estranho (Atos 22:16), pois  o  mesmo diz que ele com os outros, foram "sepultados no batismo "(Rm 6:4). Outra objeção que fazem é ao batismo do carcereiro e sua família (Atos 16:33), mas  não há nada que torna improvável que tenha sido feito por imersão, pois parece ser um caso claro que o carcereiro após sua conversão  levou os apóstolos da prisão para sua própria casa; chegando lá os apóstolos  pregaram para ele e sua família (Atos 16:32) e depois disso eles saíram de casa e foram batizados, muito provavelmente no rio da cidade onde se costumava fazer oração (Atos 16:13), pois é certo que, após o batismo dele e de sua família, ele trouxe os apóstolos a sua casa novamente para lhes pôr a mesa (Atos 16:33, 34 ). Essas instâncias apresentadas deixam de mostrar a cada leitor atento a sua Bíblia a improbabilidade do batismo por imersão e tudo o que for de oposição  a ele. A próxima coisa a ser considerada é,

5. Em quinto lugar, a forma como a ordenança deve ser administrada é "em nome do Pai, do Filho  e do Espírito Santo" ( Mateus 28:19 ), pois contém em si uma prova da Trindade de Pessoas na unidade da essência da divindade de cada pessoa e de sua igualdade e distinção umas  das outras ; mostra que esta ordenança é realizada sob a autoridade de todas as três pessoas divinas ,  onde a pessoa submete-se a elas  , expressa a sua fé nelas  e invoca-as para si, obrigando -se a prestar obediência ao que elas exigem dela, bem como colocando-se sob seus cuidados e proteção. A fórmula do batismo é um pouco variada e de outras formas expressas : "em nome do Senhor Jesus " ( Atos 8:16) , que é uma parte da fórmula e inclui nela a substância da mesma  e do batismo cristão , relacionando a pessoa e os ofícios de Cristo e sua relação e conexão com as outras duas pessoas; "em nome do Senhor" como Cornélio e sua família foram obrigados a se batizarem ( Atos 10:48 ) , isto é, em nome de Jeová , o Pai , o Filho e o Espírito , pois kuriov , Senhor, no Novo Testamento , responde a Jeová no Antigo;  “em nome do Pai , do Filho e do Espírito Santo”  como em Mateus 28:19,  esses nomes denotam  uma só divindade em poder e substância, iguais em dignidade , co-eternas e perfeitas , conforme  está expresso na carta sinodal do conselho geral de Constantinopla [29] .


6. Em sexto lugar , os fins e os usos pelos  quais o batismo é nomeado  e que são respondidos por ele.

6a . O fim  principal do batismo como tem sido freqüentemente sugerido  é o de representar o sofrimento , o sepultamento e a ressurreição de Cristo clara e totalmente descritos  em Romanos 6:4-5 e  Colossenses 2:12.  Os sofrimentos de Cristo  são representados pela entrada  na água , o seu sepultamento,  pelo  curto espaço de tempo imergido na água e sua ressurreição pela emersão da água.

6b . Era praticado tanto por João como  pelos apóstolos de Cristo para a remissão dos pecados ( Marcos 1:4 , Atos 02:38 ), não que essa  seja a  aquisição e causa meritória do mesmo, pois só o sangue de Cristo pode fazer isso, mas aqueles  que se submetem a ele  podem ser dirigidos , conduzidos e  encorajados a esperar em Cristo. E assim,


6c . Como é  para ser uma  lavagem e limpeza do pecado , " Levanta-te, e batiza-te , e lava os teus pecados" (Atos 22:16),  isso só é realmente feito pelo sangue de Cristo , que purifica de todo pecado.  O batismo não lava o pecado original, nem real, ele não tem essa virtude nele [30] , mas é um meio de dirigir a Cristo, o Cordeiro de Deus  que , pelo seu sangue e sacrifício expiatório , expurgou e continua a tirar os pecados dos homens.


6d . Um efeito salutar em sua utilização   é atribuído a ele : " o batismo como uma verdadeira figura agora vos salva”.  Deve -se perguntar como e por que meios ? A resposta segue: " pela ressurreição de Jesus Cristo" (1 Pedro 3:21 ), isto é, levando a fé da pessoa batizada a reconhecer que Cristo  morreu pelos seus crimes  e ressuscitou para sua justificação .

6e . Na mesma passagem  é dito ser  o propósito do batismo: "A resposta de uma boa consciência para com Deus”.  um homem que acredita que o batismo seja uma ordenança de Deus  submete-se a ele com tal , gozando  de uma boa consciência que traz alegria e paz , pois,  embora  para " manter os mandamentos de Deus não haja recompensa , mas ao mantê-los esta é a sua recompensa: o testemunho de uma boa consciência que traz  paz aos que amam a Deus e guardam  os seus mandamentos .



6f . Render  obediência a esta ordenança de Cristo é uma prova de amor a Deus e a seu Filho ( 1 João 5:3 ). A partir de um princípio de amor a Cristo, guardamos os seus mandamentos , podemos  confiar nas suas  promessas  para ter sempre presente as  manifestações de seu amor e ter comunhão com o Pai , o Filho e o Espírito Santo                     ( João 14:15 , 21, 23). Este é um fim a ser tido em vista muito encorajador quando obedecido.


NOTAS:

[1] Dt. Doctrina Christiana, l. 3, c. 9.

[2] Vid. Socin. Disp. De baptismo, c. 15, 16, 17.

[3] Ver a Dissertação sobre o batismo de prosélitos judeus no final deste trabalho. Veja no tópico 1300.

[4] Comentário em Matt . 372, 375.

[5] Comentário  em Matt. xxviii. 19.

[6] Contr. Arian. orat. 3. p. 209.

[7] O batismo de crianças: um serviço razoável, p. 14, 15.

[8] Bostwick's, uma reivindicação justa e racional do batismo infantil, p. 19.

[9] Ver  a minha exposição de 1 Coríntios 7: 14. Veja  os comentários sobre 1 Coríntios 7:14.

[10] Eccles. Hist. l. 1. c. 4.

[11] Ver meus tratados :"O argumento da tradição apostólica em favor do batismo infantil analisado” , e “ O Anti-pedobatismo ou batismo infantil: uma inovação" e  outros.

[12] "Quod longinquitas temporis objicitur, eo major suspicio, inesse debet, emanasse illas traditiones a Pseudo apostolis; qui mirandum in modum conturbaverunt sanctos apostolos; quo magis cavendum est, viri Christiani". Aonii Palearii Testimonium, c. 2. p. 238.

[13] "consuetudo sine veritate Vetustas erroris est," Cipriano. epist. 74. p. 195.

[14] Ensaio para restaurar o Mergulhando no Batismo de Crianças, p. 44.

[15] Institutas . l. 4. c. 15. s. 19.

[16] Opera, vol. 6. col. 2008.

[17] Alguns como  Sandys representam o rio Jordãocomo se fosse um rio raso e insuficiente para a imersão, não tinha profundidade para ser navegável  nem era mais largo do que oito braças . Travels, b. iii. p. 110. ed. 5. Já Mark. Maundrel diz que  sua  amplitude era próxima  de vinte metros de largura e sua profundidade excedia em muito a sua altura. Viagem de Aleppo, & c. p. 83. ed. 7. vid. Reland. de Palestina, l. 1. p. 278. Journey from Aleppo, &c. E, portanto, devia ser suficiente para a imersão. E Estrabão fala de navios à vela levando cargas  pelo  Jordan, Geograph. l. 16. p. 519. Ele era um rio navegável, segundo os escritores judeus, ver Gill em Mateus 3:5.

[18] Ep. c. 9. p. 235. ed. Voss.

[19] Dt. Baptismo, c. 8.

[20] Maimon. Hilchot Mikvaot, c. 1. s. 2.

[21] No Ato. i. 5.

[22] Epiph. contra Haeres. l. 1. Haeres. 9.

[23] Em Misn. Chagigah, c. 2. s. 7.

[24] Dt. Emend. Temp. l. 6. p. 771.

[25] Maimon. Hilchot CELIM. c. 26. s. 14.

[26] Misn. Mikvaot, c. 7. s. 7.

[27] Ibid. s. 6.

[28] Se os nossos historiadores estão a ser creditados, dez mil foram batizados em um dia pelo monge Agostinho  no rio Swale, Fox's Acts and Monuments, vol. i. p. 154. Ranulph. Polychron. l. 5. c. 10. Os doze filhos de Wolodomir, grão-príncipe da Rússia,  com vinte mil russos foram batizados em um dia  por um missionário de Fócio, o patriarca. Os  antigos russos  não reconeciam  nenhuma pessoa como cristã,  a menos que tivesse sido mergulhada completamente debaixo d'água. Strahlenberg. Histor. GEOGRAPH. Descript. of the Northern and Eastern Parts of Europe and Asia, cap. 8. p. 283, 286. Vid. Fabricii Lux Evangel. p. 475. Nenhuma dúvida surgiu  em ambos os casos, o  que mostra que os números  apresentados podem ser batizados em um dia.

[29] Apud. Theodorit. Eccl. Hist. l. 5. c. 9. Esta fórmula  foi alterada e corrompida por Marcos, o herege, e seus seguidores no segundo século.  Eles  batizavam  em nome do Pai desconhecido de todos, na verdade, a mãe de todos, naquele que desceu sobre Jesus, em união e redenção, e na  comunhão de poderes.  O mesmo também mudou e  corrompeu o modo, tomando uma mistura de óleo e água, derramando  sobre a cabeça  e ungido-a  com bálsamo. Vid, Irenaeum adv. Haeres. l. 1. c. 18.

[30] "Non enim aqua lavat animam, sed ipsa prius lavatur a Spiritu," Aonii Palearii Testimonium, c. 2. p. 24.


Fonte: Providence Baptist Ministries
Tradução: Luciano de Oliveira


Nenhum comentário:

Postar um comentário