TENDO sido habilitados, com a
Graça divina para desistirmos de nós mesmos ao Senhor, e igualmente um ao outro
pela vontade de Deus, contamos como compete a nós, fazer uma declaração de
nossa fé e prática, para a honra de Cristo, e a glória do seu Nome, sabendo
que, como com o coração se crê para justiça, então com a boca se faz
confissão para a salvação, que é a seguinte declaração, a saber:
I. Nós cremos, Que as Escrituras do Antigo e Novo
Testamento, são a palavra de Deus, e a única regra de fé e prática.
II. Nós cremos, Que só há um só Deus vivo e verdadeiro, que
há três pessoas na Divindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que são iguais
em natureza, poder e glória; e que o Filho e o Espírito Santo são verdadeira e
propriamente Deus, como o Pai. Estas três pessoas divinas se distinguem umas
das outras por propriedades particulares relativas. A propriedade
distintiva e relativa do caráter da primeira pessoa é gerar,
ele gerou um Filho da mesma natureza com ele, o qual é a imagem expressa de sua
pessoa, e, portanto, é com grande propriedade chamado o Pai.
A propriedade distintiva e relativa do caráter da segunda
pessoa é que ele é gerado, e ele é chamado o unigênito do Pai, e
seu próprio e apropriado Filho, não um Filho de criação, como anjos e os
homens, nem pela adoção como os santos são, nem pela posse como magistrados
civis são, mas por natureza, por geração eterna do Pai dele na natureza divina;
e, portanto, ele é verdadeiramente chamado o Filho. A propriedade
distintiva e relativa do caráter da terceira pessoa é ser respirado pelo
Pai e do Filho, e proceder de ambos, e muito apropriadamente chamado
de Espírito ou Fôlego de ambos. Estas três distintas pessoas
divinas, nós professamos reverenciar, servir e adorar como o único Deus
verdadeiro.
III. Nós cremos, Que antes do início do mundo, Deus elegeu
um certo número de homens para a salvação eterna, a quem ele predestinou para
filhos de adoção por Jesus Cristo, por sua própria graça gratuita, e de acordo
com o beneplácito de sua vontade; e que nos termos deste projeto gracioso, ele
planejou e fez um pacto de graça e de paz com o seu Filho Jesus Cristo, em nome
dessas pessoas, onde um Salvador foi nomeado, e todas as bênçãos espirituais
providenciadas por elas; como também que aquelas pessoas, com toda sua graça e
glória, foram colocadas nas mãos de Cristo, e sob o seu cuidado e encargo.
IV. Nós cremos, Que Deus criou o primeiro homem Adão,
conforme sua imagem, e à sua semelhança, uma reta, santa e inocente criatura,
capaz de servir e glorificá-lo, mas pecando ele, todos os seus descendentes
pecaram nele, e se destituíram da glória de Deus; a culpa de cujo pecado é
imputada, e derivou uma natureza corrupta a todos os seus descendentes,
descendendo dele por geração normal e natural: a de que eles são, por seu
primeiro nascimento carnal e imundo; avessos a tudo o que é bom, incapazes de
fazer qualquer bem, e inclinados a todo pecado, e também são por natureza
filhos da ira e estão sob uma sentença de condenação; e por isso estão
sujeitos, não só a uma morte corporal, e implicando em uma moral, comumente
chamado de espiritual, mas também são susceptíveis a uma morte eterna, conforme
considerados no primeiro Adão, caídos e pecadores; de todos os
quais não há salvação, exceto por Cristo, o segundo Adão.
V. Nós cremos, Que o Senhor Jesus Cristo, sendo
estabelecido desde a eternidade como o mediador da aliança, e tendo se engajado
para ser o fiador de seu povo, na plenitude dos tempos realmente assumiu a
natureza humana, e não antes, nem no todo nem em parte; sua alma humana, sendo
uma criatura, não existiu desde a eternidade, mas foi criada e formada em seu
corpo por ele, que formou o espírito do homem dentro dele, quando foi concebido
no ventre da virgem; e assim sua natureza humana consiste em um verdadeiro
corpo e uma alma racional, tanto que, juntos, e simultaneamente o Filho de Deus
assumiu em união com sua pessoa divina, quando feito de uma mulher e não antes,
em cuja natureza ele realmente sofreu e morreu como o substituto de seu povo,
em seu espaço e lugar; pelo que ele satisfez pelos pecados deles totalmente o
que a lei e a justiça de Deus poderia exigir, bem como abriu caminho para todas
as bênçãos que são necessárias para eles, tanto para o tempo quanto para a
eternidade.
VI. Nós cremos, Que Redenção Eterna que Cristo obteve
pelo derramamento do seu sangue é especial e particular, isto é, que só foi
intencionalmente concebido para os Eleitos de Deus, e Ovelhas de Cristo, que
somente compartilham as bênçãos especiais e particulares do mesmo.
VII. Nós cremos, Que a justificação dos eleitos de
Deus é apenas pela justiça de Cristo imputada a eles, sem a consideração de
quaisquer obras de justiça feitas por eles; e que o perdão completo e gratuito
de todos os seus pecados e transgressões, passados, presentes e vindouros, é
somente através do sangue de Cristo, segundo a riqueza da sua graça.
VIII. Nós cremos, Que o trabalho de regeneração,
conversão, santificação e fé não é um ato de livre arbítrio e poder do homem,
mas da poderosa, eficaz e irresistível graça de Deus.
IX. Nós cremos, Que todos aqueles que são escolhidos
pelo Pai, redimidos pelo Filho e santificados pelo Espírito, devem certamente
e, finalmente, perseverar, de modo que nenhum deles deve perecer para sempre,
mas devem ter a vida eterna.
X. Nós cremos, Que haverá uma Ressurreição dos mortos,
tanto dos justos e os injustos, e que Cristo virá uma segunda vez para julgar
os vivos e os mortos, quando ele efetuará vingança contra os ímpios, e
introduzirá o seu próprio povo em seu reino e glória, onde eles permanecerão
para sempre com ele.
XI. Nós cremos, Que o batismo e a Ceia do Senhor
são ordenanças de Cristo, a serem continuadas até sua segunda vinda; e que o
primeiro é absolutamente necessário para a última, ou seja, que somente serão
admitidos à comunhão da igreja, e a participar de todas as ordenanças nela,
aqueles que após a profissão de sua fé, tenham sido batizados por imersão, em
nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
XII. Nós cremos, Que o canto dos Salmos, Hinos e Cânticos
Espirituais vocalmente é uma ordenança do evangelho a ser realizado por
crentes, mas que, quanto ao tempo, lugar e forma, todos devem ser deixados à
sua liberdade em usá-los.
Agora, todas e cada uma dessas
doutrinas e ordenanças, olhamos para nós mesmos com a maior obrigação de
adotar, manter e defender, acreditando que ele seja nosso dever ficar firmes
num só espírito, com uma só mente, lutando juntos pela fé do Evangelho.
E considerando que estamos muito
cientes que o nosso falar, tanto no mundo e da Igreja, deve ser o mais digno do
evangelho de Cristo, julgamos ser nosso dever histórico, andar em sabedoria
para com os que estão de fora, para exercer uma consciência nula de ofensa
perante Deus e os homens, vivendo sóbria, justa e piedosamente neste mundo.
E quanto à nossa relação uns aos
outros em nossa comunhão da igreja, estimamos que é nosso dever caminhar uns
com os outros em toda a humildade e amor fraterno; vigiar as conversas uns dos
outros, incitar um ao outro ao amor e às boas obras; não deixando de nos
congregar, enquanto tivermos oportunidade, para adorar a Deus segundo a sua
vontade revelada; e quando for necessário, advertir, repreender e admoestar uns
aos outros, de acordo com as regras do Evangelho.
Além disso, nos consideramos
obrigados a simpatizar-nos uns com os outros em todas as condições, tanto
internas quanto externas, a qual Deus, em sua providência, pode nos trazer;
como também de suportar uns aos outros nas suas fraquezas, falhas e enfermidades;
e, especialmente a orar um pelo outro, e que o Evangelho, e as suas ordenanças,
possa ser abençoado para a edificação e conforto a alma do outro, e para o
ajuntamento dos outros para Cristo, além daqueles que já estão recolhidos.
Todas as funções nós desejamos
ser boas de serem desempenhadas, por meio da assistência graciosa do Espírito
Santo; enquanto admiramos e adoramos a graça que nos deu um lugar e um nome na
casa de Deus, melhor do que filhos e filhas. Isa. 56. 5.
FONTE: Spurgeon.org
Tradução: Roque
Marcelo Santana dos Santos

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