Na verdade, o senhor chama
eficazmente somente os eleitos, e Paulo testifica [ Rm 8:14] que os que são
guiados pelo Espírito de Deus são verdadeiramente seus filhos, e nos ensina que
é um seguro penhor da adoção quando Cristo faz alguém participante de seu
Espírito. Por conseguinte, os eleitos se acham fora do perigo da apostasia
final, porquanto o Pai que lhes deu Cristo, seu Filho, para que sejam por ele
preservados, é maior do que todos, e Cristo promete [Jo 17:12] que cuidará de
todos eles, a fim de que nenhum deles venha a perecer.
Deus certamente confere seu
Espírito de regeneração somente aos eleitos, e que eles se distinguem dos
réprobos no fato de que são transformados à imagem de Deus, recebem o penhor do
Espírito na esperança de uma herança por vir, e pelo mesmo Espírito o evangelho
é selado em seus corações. Em tudo isso, porém, não vejo razão por que Deus não
toque os réprobos com o sabor de sua graça, ou não ilumine suas mentes com
alguns lampejos de sua luz, ou não os afete com algum senso de sua
benevolência, ou em alguma medida não grave sua Palavra em seus corações. De outro
modo, onde estaria aquela fé temporária que Marcos menciona [ Mc 4:17]?
Portanto, no réprobo há aquele conhecimento que mais tarde se desvanece, seja
porque ele estende suas raízes com menos profundidade do que se espera, ou
porque, ao crescer, é sufocada pelo mundo.
Fonte: Comentários a Hebreus 6:4. Editora Fiel: p.147

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