sexta-feira, 15 de agosto de 2014

O Levantar das Mãos no Culto Público- João Calvino


Quero, pois, que os homens orem em todo o lugar, levantando mãos santas, sem ira nem contenda. 1 Timoteo 2:8

“ É o mesmo que dissesse: “ Desde que tenham uma consciência íntegra, não há nada que impeçam todas as nações, em todo lugar, de invocarem a Deus.” Ele, porém, usa a um sinal externo em lugar da realidade interna, pois nossas mãos apontam para um coração puro. Da mesma forma Isaías, ao atacar a crueldade dos judeus, repreende-os por levantarem a Deus mãos machadas de sangue [ Is 1:15]. Além do mais, tal costume havia sido praticado no culto, em todos os tempos, pois é algo inerente a nós, que quando buscamos a Deus olhamos para cima, e tal hábito tem sido tão arraigado, que mesmo os idólatras, ainda que façam deuses em imagens de madeira de pedra, todavia conservam o costume de erguer as mãos para o céu. Aprendamos, pois, que essa prática está em harmonia com a genuína piedade, contanto que a verdade que ela representa também a acompanhe. Primeiramente, sabendo que Deus deve ser buscado no céu, não devemos formar qualquer concepção dele que seja terrena e carnal, bem como devemos descartar as afeições carnais, de tal sorte que nada impeça nossos corações de se elevarem acima deste mundo. Os idólatras e hipócritas, quando erguem suas mãos em oração, são como asnos, porque, ainda que mediante o sinal externo confessem que suas mentes se elevam ao alto, os idólatras as mantêm fixas na madeira ou na pedra, como se Deus estivesse circunscrito nessas coisas; e os hipócritas se encontram emaranhados em suas vãs concepções, ou em seus perversos pensamentos , e, portanto, se encontram presos à terra. Portanto, ao mostrarem uma aparência oposta ao que está em seus corações, dão testemunho contra si.”

Fonte: Pastorais. Comentários a 1 Tm 2:8, páginas 66 e 67. Editora Fiel

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