Os outros oficiais do evangelho
na igreja são os diáconos. As coisas aqui tratadas dirão respeito a esse
ofício, isto é, à natureza e origem do mesmo, o trabalho a ser realizado por
aqueles que são nomeados para tal, as qualificações necessárias e o incentivo
por parte da igreja aos que desempenham esse ofício diligentemente.
1. Em primeiro lugar, a natureza e origem desse cargo. Não é um
ofício político, mas eclesiástico; às vezes, de fato, a palavra é usada em um sentido
político para o magistrado civil, o qual é dito ser Yeou diakonov, “o diácono de Deus"; o "ministro de
Deus" (Rm.13: 4), indicado por ele e que serve para o bem público, contudo
é comumente usado em um sentido eclesiástico; às vezes para referir-se a ministros
extraordinários, como apóstolos, cujo ministério é chamado diakonia, uma "diaconia", que era ligado ao apostolado
(Atos 1:17-25). O apóstolo Paulo chama a si mesmo e a Apolo diakonoi, diáconos ou ministros, por
quem vós acreditais (1Co.3:6). Até nosso Senhor Jesus Cristo, como o profeta da
igreja e pregador do evangelho eterno, tem esse nome e título. Agora digo que
Jesus Cristo era um diácono ou ministro da circuncisão, ou seja, para os judeus
circuncidados (Rm.15:8), para não tomar conhecimento que o ministério dos anjos
é chamado diakonia, uma diaconia (Hb.1:1). Para continuar, o título é dado frequentemente
a pregadores comuns e ministros da palavra, como a Tíquico, Epafras, e outros
(Ef.6:21; Cl.1:7; 4:7), mas em lugares distintos o diácono é mencionado como um
oficial distinto de qualquer ministro extraordinário ou ordinário. Assim, o
apóstolo fala do ofício de um ancião, bispo, ou supervisor e do ofício de
diácono como duas funções distintas; depois de dar as qualificações de um, ele
dá as qualificações dos outros (1Tm.3: 8-13). Os oficiais da igreja em Filipos
são distinguidos em bispos e diáconos (Fp.1:1).
Em Atos 6:1-5 temos um relato sobre a origem
desse ofício como se pensa comumente, pois parece ter surgido como um ramo do
oficio ministerial desempenhado pelos apóstolos; deveras, todo o ministério
eclesiástico estava em suas mãos, tanto a gestão do secular como os assuntos
espirituais da igreja. Os primeiros cristãos, membros da igreja em Jerusalém,
vendiam suas propriedades, compartilhavam e repartiam com todos segundo a necessidade
de cada um. Os apóstolos tinham a disposição e distribuição desses bens que a
eles eram trazidos e colocados a seus pés (Atos 2:44-45; 4:34-37; 5:2).A igreja
de Jerusalém, que tinha cerca de cento e vinte pessoas no seu início, aumentou
para alguns milhares, e seus pobres proporcionalmente; esses pobres quando da pregação
do evangelho haviam recebido a palavra, uma vez escolhidos [por Deus], foram
chamados e levados à igreja. Sendo este o caso, houve uma murmuração dos gregos
contra os judeus helenistas, que nasceram e viveram na Grécia, mas quando
vindos a Jerusalém na época de Pentecostes foram convertidos se tornaram
membros da igreja de Jerusalém. A denúncia fora apresentada por estes contra os
hebreus, que eram nativos da Judéia, e, particularmente, de Jerusalém, pois
suas viúvas pobres eram negligenciadas no ministério diário, sugerindo que
havia alguma parcialidade presente, pois as viúvas dos nativos de Jerusalém
foram mais favorecidas do que as viúvas dos tais que tinham vivido em terras
estrangeiras; isso envergonhou muito os apóstolos, que concentrados na parte
espiritual do seu ministério, ficaram impedidos por sua atenção e aplicação nos
negócios seculares da igreja. Os mesmos, reunindo a igreja, argumentaram:
"Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às
mesas"; uma vez que não é apropriado que qualquer ministro ordinário da
palavra seja "enredado com os negócios desta vida" , quando possível
ele deve se dedicar apenas à leitura, à exortação, ao ensino e à oração. Por
isso os apóstolos propuseram à igreja assim reunida, escolher entre eles sete
homens, com qualificações por eles mencionadas para assistir a este serviço; e
quanto a si mesmos, eles iriam "dar-se continuamente à oração e ao
ministério da palavra”. Esta proposta foi aceitável para o povo que escolheu
homens bastante qualificados para aprovação dos apóstolo e assim assumiram seus
ofícios [1]. Esta parece ser a origem da instituição deste cargo. O que
demonstra,
1a. Que aqueles que são escolhidos para
este cargo devem ser membros da igreja, caso contrário não são elegíveis. Eles devem ser escolhidos pelo voto e o
sufrágio da igreja. O seu ofício é somente a essa igreja que pertencem; eles
não podem oficiar em outra; nem devem ter qualquer preocupação com os pobres de
outra igreja; as coletas de uma igreja, para cujo serviço peculiar eles são
nomeados, devem ser recebidas e distribuídas por eles aos membros da mesma,
apenas. Coletas extraordinárias de outras igrejas, podemos observar, foram
enviadas pelos os anciãos e não pelos diáconos (Atos 11:30). Por isso,
1b. Os apóstolos, embora se dedicassem mais
especialmente à oração e ao ministério da palavra, contudo não se despojaram
completamente deste serviço (veja Atos 12:25). Os diáconos têm uma ligação com
os anciãos e pastores das igrejas para cumprirem o ofício do diaconato; eles devem
estar familiarizados com a condição da igreja, com os pobres, devem ajudar os
pastores em todas as questões importantes do momento, auxiliando-os nos assuntos
exteriores da igreja, o que pode significar aquilo que o apóstolo chama de
“socorros” em 1 Coríntios 12:28 a ser útil para o ministro, a igreja e o pobre.
1c. Este ofício foi instituído quando a
igreja era numerosa, por isso o número de sete da primeira igreja não é uma
regra e exemplo obrigatório para todas as igrejas futuras [2]; mas tal número é
escolhido e pode ser aumentado, como a exigência das igrejas requeira. Alguns
têm pensado que, quando uma igreja é muito pequena, um pastor pode realizar
todo o trabalho, com um pouco de ajuda da igreja; mas não posso deixar de ser
de opinião, que um diácono, pelo menos, se não dois, são necessários para
formar uma igreja organizada.
1d. Os objetos deste ofício são os
pobres da igreja que estão em todas as igrejas, em todas as épocas: "Os
pobres sempre tendes convosco" (João 12:8); de modo que a razão de sua
primeira instituição continua, ou seja, aliviar os ministros do evangelho de
muita preocupação nos assuntos seculares da igreja (Atos 6:2), e tais ofícios foram
nomeados, não só na primeira igreja em Jerusalém, embora de maneira extraordinária,
como alguns pensam, mas também nas igrejas dos gentios, como em Filipos
(Filipenses 1:1). Às igrejas dos tempos futuros também são dadas instruções
para escolha desses oficiais ( 1Tm.3:8; etc.).
2. Em segundo lugar, o trabalho e as obrigações a serem realizados
por eles são apontados para este ofício.
2a. Não para pregar o evangelho e
administrar as ordenanças, como o batismo e a Ceia do Senhor, por conseguinte,
qualificações ministeriais não são necessárias para eles. Filipe de fato, um
dos sete, tanto pregou como evangelizou (Atos 6:5; 8:5,38), mas ele o fez mais devido à importância do seu cargo de
evangelista (Atos 21:8). No tempo de Tertuliano os diáconos foram autorizados a
batizar; dizia ele que o primeiro direito pertence ao bispo, em seguida aos presbíteros
e depois aos diáconos [3], todavia não sem a autorização do bispo; mas isto
parece ser uma completa inovação.
2b. Também não é o seu trabalho o
governo da igreja; lemos de governos de anciãos, mas nunca de diáconos; se
fossem, as mulheres não podiam ser diaconisas, como Febe era, uma vez que elas não
podiam governar. Diáconos podem e devem ajudar pastores ou presbíteros no
cuidado da igreja, tais como: vigiar a caminhada e conversa dos membros da
igreja, observar se eles se mantêm constante na mesma, exortar, admoestar e
reprovar, como eles acharem necessário; visitar os doentes que estão em perigo
de qualquer tipo; relatar o estado da igreja para o ancião ou pastor;
reconciliar as diferenças entre um membro e outro e preparar matérias a serem apresentadas
em reuniões da igreja quando necessário.
2c. Mas o seu principal dever é
"servir às mesas", pois os apóstolos abandonaram e deram-na aos sete
(Atos 6:2). Como,
2c1. A mesa do Senhor, como é chamada
(1Co.10:21), ou seja, na administração da ordenança da ceia. A sua função é
fornecer todo o necessário para ela: o pão, o vinho e todo o tipo de mobiliário
necessário naquela ocasião; quando os elementos são abençoados, o pão quebrado
e o vinho derramado, estes são dados em suas mãos pelo pastor ou ancião para
que possam fornecer aos membros. No tempo de Justino Mártir, os que foram
chamados de "diáconos", diz ele, distribuíam os elementos aos que
estavam presentes para que pudessem participar do pão e do vinho dados pelo
presidente [4].
2c2. A mesa do ministro; eles devem tomar
cuidado para que esse serviço seja adequadamente feito para subsistência do
ministro e de sua família. Considerando que Cristo ordenou que aqueles que
pregam o evangelho que vivam dele e que aquele que está sendo instruído na
palavra deve ajudar ao que lhe ensina todas as coisas boas. A função dos
diáconos é observar se cada membro contribui de acordo com a sua capacidade
para que haja uma igualdade, que alguns não sejam atenuados e outros
sobrecarregados. Eles devem recolher o que os membros dão, pois não é adequado que
o ministro recolha para si mesmo; isso seria para evitar que o projeto da
instituição, que era, que aqueles que estão empregados na função sagrada do
ministério da palavra, não devem ser prejudicados na mesma. Além disso, tal
prática não iria se adequar com o caráter de um ministro, pois ele seria
obrigado a receber o que o povo lhe deu, sem fazer qualquer protesto contra ele,
como falha em seu dever para com ele; e ele também poderia ser exposto à
acusação de avareza; ao qual podem ser adicionados, que uma igreja não seria
capaz de julgar se seu pastor estava suficientemente suprido ou não.
2c3. A mesa do pobre; era uma ordem
apostólica dada às igrejas. Elas deveriam fazer uma coleta para os santos
pobres no primeiro dia da semana; parece que ela foi projetada para ser a cada
primeiro dia, onde toda a gente era para contribuir conforme Deus lhe havia
prosperado (1Co.16: 1-2). As coletas feitas na Ceia do Senhor deveriam ser recebidas
pelos diáconos e distribuídas para atender as necessidades dos santos. Os
diáconos eram, tanto pelo seu próprio exemplo e por suas exortações, para encorajar
os membros das igrejas a contribuir liberalmente para o alívio dos pobres. E o
que eles recebiam era para ser distribuído de maneira,
2c3a. Imparcial, isto é, como o apóstolo expressa, "com
simplicidade", sem parcialidade e não como se fosse um favor ou motivado
pela amizade, demostrando nenhum respeito com as pessoas, dando mais para um do
que para outro; essa fora a reclamação inicial na primeira igreja, motivo pelo
qual tornou esse ofício necessário; portanto, o diácono deve ter o cuidado de
evitar esses tipos de coisas. A regra base que se deve proceder nesse caso deve
ser segundo a necessidade de cada um.
2c2b. Isto deve ser feito com "alegria" (Rm12:8), sem cara
feia e sem quaisquer palavras duras e ásperas, pois a consciência dos pobres, já
marcada pela angústia, não poderia suportar; todavia quando o que é dado é de
bom grado e com prazer, faz-lhes duplo bem; também não devem ajudar os pobres
apontando os seus erros passados, porquanto as circunstâncias que estão
passando podem ter sido motivadas por problemas mais sérios. Ademais, Deus ama
ao que dá com alegria, e ele mesmo é quem dá liberalmente e não censura.
2c2c. Isto deve ser feito com compaixão e ternura. O trabalho de um
diácono é expresso por sua "misericórdia" (Rm12:8). Ele deve
exercê-lo de uma forma piedosa e misericordiosa, simpatizando-se com a situação
dos pobres, uma vez que nosso grande Sumo Sacerdote fora movido com o
sentimento de piedade pelo seu povo.
2c2d. Este ofício deve ser executado com grande fidelidade;
diáconos são mordomos da igreja, e são encarregados das ações da igreja. O que
se requer dos despenseiros é que eles distribuam com fidelidade e para os fins
a que se destinam o que é colocado em suas mãos. A próxima coisa investigada
será,
3. Em terceiro lugar, as qualificações das pessoas para tal ofício podem
ser tomadas a partir de At 6:3. Como,
3a. Que eles devem ser de "boa
reputação"; um bom testemunho pode ser dado de sua honestidade,
integridade e boa conversa; eles devem ter um bom testemunho dos que estão de
fora, de todos os homens, dos homens do mundo e dos que estão dentro; devem ser
de boa fama pelos irmãos, pelos membros de outras igrejas, especialmente por
parte dos membros da igreja a que pertencem.
3b. "Cheios do Espírito
Santo", de seus dons e graças; embora eles não possam ser tão notavelmente
dotados como Estevão e Filipe, ainda assim devem participar da graça do
Espírito a fim de que possam "confortar os fracos de espírito" e possuir
uma palavra em tempo oportuno para aqueles que estão em perigo.
3c. Homens de "sabedoria";
como eles são oficiais, a sabedoria, bem como a fidelidade, lhes são exigidas,
uma vez que são eles que distribuirão entre os pobres, segundo as suas necessidades,
o dinheiro da igreja; distinguir atenuações e circunstâncias requer sabedoria. Além
disso, as pessoas em tal ofício às vezes são chamadas a fazerem diferenças
entre membro e membro; isso muitas vezes é uma tarefa difícil e requer toda a
prudência de um homem. O apóstolo se refere a eles quando diz: "Não há,
pois, entre vós sábios, nem mesmo um, que possa julgar entre seus irmãos" sem
ir a juízo perante os incrédulos (1 Coríntios 6: 5,6).
Há outras
qualificações de um diácono observadas em 1 Timóteo 3: 8-12.
3d. Quanto ao seu caráter pessoal, eles
devem ser "sérios" em suas conversas e comportamento; não podem ser
inconstantes, fúteis e vãos; não apenas modestos, castos, honestos e de bom
comportamento, mas também, como a palavra pode significar, alguém que é influente,
venerável [5], respeitável e que tem algum grau de reverência e estima para com
o povo. "Não de língua dobre”, de modo a expressar compaixão para com os
pobres, mas não mostrando nenhuma preocupação para aliviá-los; dizendo uma
coisa a eles e outra para a igreja e ministro ou contando uma coisa para um
membro e outra para outro, afastando os afetos um do outro. "Não dado a
muito vinho", pois, embora lícito seja de ser usado sem excesso, quando
excedido tende a destruir a sua reputação na igreja e no mundo, tornando-o
reprovado para prática do seu ofício. "Não cobiçoso de torpe
ganância" ou avarento, pois tal pode ser tentado a fazer uma aplicação
errada do dinheiro da igreja; além disso, as pessoas em um ofício como esse
devem ser pródigas, dando um bom exemplo para os outros, segundo os seus dons;
de outra forma, não podem de bom grado incentivar outros à liberalidade, porquanto
essa é uma característica inerente do seu ofício.
3e. Quanto ao estado civil, ele deve
ser "marido de uma só mulher”. Não é necessário que ele seja um homem
casado, mas se casou, ele deve ter uma só mulher, isto é, ao mesmo tempo. A
poligamia estava muito em uso entre os judeus e gentios e os primeiros cristãos
não estavam isentos dessa prática, daí o porquê de o apóstolo, por inspiração
divina, ter julgado necessário que nenhum oficial da igreja, bispo ou diácono, tivesse
mais de uma esposa, uma vez que a negligência disso serviria para incentivá-la.
Ademais o seu exemplo serviu para expor, reprovar e censurar essa prática. O
apóstolo acrescenta: "Que governe bem seus filhos e suas próprias casas”,
pois os tais devem manter um bom decoro em suas famílias; de outro modo como se pode esperar que nos
assuntos da casa de Deus, na medida em que estão em causa, possam ser expedidos
com honra, fidelidade e diligência? O apóstolo também pensou bem ao dar as qualificações
das esposas dos diáconos, que devem ser: comedidas em suas falas, modestas e
castas em suas roupas e de bom comportamento. "Não maldizentes ou acusadoras,
isto é, ”caluniadoras”, na qualidade da parte do diabo, como a palavra
significa [6]; porquanto tais poderiam fazer um grande mal à igreja através de
suas influências sobre seus maridos. Elas também devem ser "sóbrias",
temperadas, não dadas a beber em excesso - o que seria escandaloso -
"fiéis em todas as coisas", respeitando os seus maridos e familiares,
uma vez que ao contrário, elas poderiam ter oportunidades de desviar o dinheiro
da igreja quando na ausência de seus maridos.
3f. No que diz respeito ao caráter espiritual e evangélico dos
diáconos, eles devem ser tais que "mantenham o mistério da fé com a
consciência limpa"; devem ser sólidos no evangelho e nas doutrinas pelas
quais "se entende o evangelho, a fé que uma vez foi dada aos santos; que
sejam firmes nas doutrinas mais sublimes e misteriosas do evangelho, especialmente
a doutrina da Trindade, que os judeus comumente chamavam "o mistério da
fé", a mesma que o apóstolo chama de "o mistério de Deus, do Pai e de
Cristo" (Colossenses 2:2), aquelas doutrinas que se relacionam com a
distinção das Pessoas, a filiação divina, Divindade adequada e personalidade
distinta de Cristo; a divindade, personalidade e operações do Espírito; a
encarnação de Cristo e a união das duas naturezas nele, a ressurreição dos
mortos e outras. Essas doutrinas os diáconos devem manter com a consciência
purificada pelo sangue de Cristo através de uma vida santa e de uma boa
conversa. Tais qualificações servem para que eles sejam capazes de instruir e
estabelecer outros na fé e para que possam refutar os erros na fé, caso
contrário, por seus princípios ruins, a sua influência sobre os outros poderia
ser perniciosa e fatal. Ora, estes devem primeiro ser provados e, se forem
irrepreensíveis, devem tomar parte no ofício. Não que eles devam exercer
qualquer parte deste ofício para que possam ser julgados se são capazes dele, mas
que antes, eles devem ser homens com as qualificações
acima, bem conhecidos e aprovados por sua solidez na fé e na pureza da conversa
pela igreja. Há apenas um diácono deste tipo mencionado na escritura, a menos
que se pense que havia mulheres diáconos ou diaconisas. De fato, Febe é chamada
diakonov, um "diácono" ou
"diaconisa" da igreja de Cencréia; tomamos a palavra significando "serva"
(Rm.16:1), mas alguns a tomam como "esposas" de diáconos, "suas
mulheres" (1Tm.3:11). Outros entendem que essas mulheres "diaconisas"
são as "viúvas" com as suas qualificações, idade, caráter e conduta
(1Tm.5:9-10). Se virgens ou viúvas, é certo que Plínio [7], no século II, fala que
interrogara sob tortura duas mulheres cristãs chamadas "ministrae",
ministresses, ou diaconisas. Clemente de Alexandria, no "segundo"
século, faz menção expressa de mulheres diáconos, como dito pelo apóstolo em
sua epístola a Timóteo [8]. Do mesmo modo Jerônimo [9], no século IV, fala delas
nas igrejas orientais. De fato, alguma coisa desse tipo não parece de todo
desnecessário, mas de serviço e utilidade, tais como para participar no batismo
de mulheres, visitar as irmãs da igreja quando doentes e para ajudá-las. No
terceiro século, um oficial foi introduzido, chamado de "subdiácono",
um subdiácono parece que era um assistente para o diácono, quando as igrejas se
tornavam grandes e numerosas e os diáconos precisavam de assistência , embora
fosse mais adequado aumentar o número de diáconos, como um "meteoro",
conforme Dr. Owen [10] lhes chamam. De um "arquidiácono" nada foi falado
até o quarto ou quinto séculos, nem muito menos com a função que agora existe
sob esse nome.
4. Em quarto lugar, o incentivo dado ao
desempenho diligente e fiel do ofício de diácono.
4a. Os tais “adquirirão para si uma boa posição". A conjectura
do Dr. Owen [11] sobre essa passagem é muito insignificante, nunca antes esperada
de tão grande homem. Ele diz que o significado dela se refere a algum lugar de eminência,
um assento altamente levantado para se sentar nas assembleias da igreja; algo
como os principais lugares em uma sinagoga judaica; todavia nem por isso
significa um grau mais elevado em seu próprio ofício, pois não existem graus maiores
e menores no ofício de um diácono; nem subdiácono nem arquidiácono, como antes
observado; nem é preparatório para uma ordem superior, um presbitério, uma vez
que o ofício de diácono reside principalmente na gestão das coisas temporais e
não no estudo e meditação das coisas espirituais. Em tempos posteriores, no
terceiro século, essa prática de passar por todos os cargos eclesiásticos até
chegar no cargo de bispo começou a ocorrer, conforme atesta Cipriano [12] ao
falar de Cornelius, bispo de Roma, que foi ordenado por Caius, o bispo do mesmo
lugar, no mesmo século, elencando os graus a um bispado, por meio do qual os
homens deveriam passar, os quais eram: porteiro, exorcista, acólito,
subdiácono, diácono, presbítero e em seguida bispo [13]. Mas isso tudo é mera
nomeação humana e anticristã; nem é um maior grau de glória que significava, porquanto
é questionável se haverá alguma; todavia o significado da passagem refere-se a um
aumento dos dons e graças que, sob a bênção divina, pode ser atingido, através da
conversa mais íntima de um diácono com o pastor e os membros da igreja, e até
mesmo com os pobres da mesma, embora pareça principalmente significar um bom
grau de honra no cumprimento fiel do seu ofício tanto do ministro, igreja e
pobre.
4b. Os tais obterão "muita confiança na fé"; no exercício
da fé no trono da graça e na afirmação da doutrina da fé ao reivindicar o seu
próprio caráter diante dos homens, como homens fiéis que reprovam a imoralidade
e o erro.
5. Em quinto lugar, os direitos que
pertencem a uma igreja e seus membros para as pessoas em tal ofício.
5a. Eles devem supri-los com o que é suficiente para aliviar as
necessidades dos pobres, não permitindo que eles façam com os seus próprios recursos;
agindo assim eles podem distribuir fielmente o que é colocado em suas mãos pela
igreja.
5b. Eles devem ser requisitados para direção e conselho em quaisquer
assuntos particulares, e, sobretudo, aos que se referem à igreja, uma vez que é
suposto que sejam homens de sabedoria, capazes de julgar as coisas que dizem respeito
a pessoas particulares e entre um membro e outro.
5c. Eles devem ser altamente estimados por causa da sua obra; seu ofício,
quando realizado de forma diligente e fiel, é muito útil à igreja.
5d. Eles devem receber as nossas orações, pois, se oramos por todos
os magistrados civis e oficiais, então, certamente, oramos por todos os
oficiais eclesiásticos; não só para os pastores das igrejas, mas também para os
diáconos. Eles devem ser apoiados em todos os desânimos e dificuldades para que
possam desempenhar suas funções com reputação e utilidade.
NOTAS:
[1] Da sua
ordenação e número ver cap. 3. livro II, p. 632- 633. Veja no tópico 1229.
[2] Embora o
Concílio na Neocaesarea ordenasse que não devia haver sete diáconos, conforme a
regra em Atos, Can. CIV apud
Magdeburg. cent. 4. col. 349. Na igreja romana havia sete e não mais; mas em
outras igrejas o número era indiferente ou indeterminado, como o historiador
afirma, Sozomen. Ecl. Hist. l.
7. c. 19.
[3] Dt. Baptismo, c. 17.
[4] apolog. 2. p. 97. vid. Cipriano.
de lapsis, p. 244.
[5] semnouv.
[6] diabolouv.
[7] Ep. l 10.
ep. 97. vid. Pignorium de Servis, p. 109.
[8] Stromat l.
3. p. 448.
[9] Comentário
em 1 Tm. iii. 11.
[10] Verdadeira
natureza de uma Igreja Evangélica, ch. 9. p. 184.
[11] Ibid. p. 187.
[12] Ep. 52. p. 96.
[13] Vit Platinae. Pontif.p
34.
Fonte: Providence Baptist Ministries
Tradução: Luciano de Oliveira
Revisão: Rafael Abreu
Tradução: Luciano de Oliveira
Revisão: Rafael Abreu

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