1e [...] o primeiro dia da
semana ,ou dia do Senhor , é agora o dia de adoração observado pela
generalidade dos cristãos , não em virtude de qualquer preceito positivo ou
ordem expressa de Cristo , pois não há nenhum . Alguns grandes e bons
homens como Calvino [21], Beza [ 22], Zanchius [23] e outros têm sido de
opinião que o domingo foi uma questão de pura escolha nas primeiras
igrejas que, no uso de sua liberdade cristã, foram deixadas livres
para escolher quando e onde adorar , fixando esse dia como o mais
adequado e apropriado substituto do antiquado sábado judaico . Sou inclinado a
concordar com isso, mas não posso deixar a opinião que a
prática e exemplos do apóstolos de Cristo , homens inspirados pelo Espírito Santo
, que escreveram , ensinaram e praticaram " os mandamentos do
Senhor" (Mateus 28:20 ; 1 Coríntios 14:37), não carregem em si a
natureza , a força e a obrigação de um preceito . Mesmo se não existisse
uma ordem expressa para o batismo infantil , mas se tivesse sido tolerada ,
como não foi , pela prática e exemplos dos apóstolos , julgariamos que
seria nossa obrigação seguir essa prática e exemplos. Sobre o
primeiro dia da semana parece ser
1e1 . O dia mais adequado e apropriado para o culto divino, pois como a mudança do dia de adoração era necessário , havendo uma nova dispensação e novas ordenanças de culto divino e para testemunhar ao mundo a nossa fé na morte e ressurreição de Cristo dos mortos , não havia dia melhor como o primeiro dia da semana para isso. A igreja cristã nunca passou sem um dia de adoração , desde cedo os apóstolos se reuniam naquele primeiro dia da semana em que Cristo ressuscitou dos mortos , o que mostra com mais propriedade e idoneidade a prática deste dia como um dia de descanso: Cristo, assim que terminou o seu grande trabalho de redenção e salvação por nós, descansou das suas obras como Deus das suas. Ainda pode ser observado que após a ressurreição de nosso Senhor dos mortos , nunca é lido ao longo de todo o Novo Testamento que qualquer assembléia cristã mantivesse outro dia para adoração além do primeiro dia da semana.
1e2 . A observação deste dia é
confirmada pela prática e exemplos dos discípulos de Cristo e das
primeiras igrejas,pois ,
1e2a . No mesmo dia em que Cristo ressuscitou dos mortos, que foi o primeiro dia da semana, os discípulos estavam reunidos, Cristo apareceu no meio deles e com sua graciosa presença e instruções divinas aprovou-os por estarem assim juntos e encorajou-os a estarem assim oito dias depois disso. Agora se não houve um sétimo dia anterior a este, os discípulos não estariam reunidos com Cristo naquele dia ( João 20:19-29) .
1e2a . No mesmo dia em que Cristo ressuscitou dos mortos, que foi o primeiro dia da semana, os discípulos estavam reunidos, Cristo apareceu no meio deles e com sua graciosa presença e instruções divinas aprovou-os por estarem assim juntos e encorajou-os a estarem assim oito dias depois disso. Agora se não houve um sétimo dia anterior a este, os discípulos não estariam reunidos com Cristo naquele dia ( João 20:19-29) .
1e2b . Os apóstolos reuniram-se no dia de Pentecostes, que foi o primeiro dia
da semana, como já foi provado por muitos escritores. Pouco antes de sua
ascensão , nosso Senhor ordenou a seus discípulos a esperar em Jerusalém
a promessa do Espírito. A partir
do momento de sua ascensão e antes de Pentecostes, já havia se passado
dois sábados do sétimo dia , no entanto não parece que eles se reuniram
em qualquer um deles , mas apenas no dia de Pentecostes , conforme a
ordem e a promessa da descida do Espírito sobre eles. Portanto, parece
que eles estavam esperando por aquele dia, na expectativa de ter a
promessa cumprida , pois “ chegado o dia de Pentecostes , estavam todos
reunidos no mesmo lugar" (Atos 2:01 ). Este dia foi
homenageado e confirmado pelo derramamento miraculoso do Espírito Santo,
pela pregação do evangelho aos homens de todas as nações e pela conversão e
batismo de três mil pessoas.
1e2c . Foi no primeiro dia da semana que os discípulos em Trôade se reuniram para partir o pão, quando Paulo pregou -lhes (Atos 20:7 ) . Agora ele estava ali sete dias antes , de modo que houve naquela época um sábado do sétimo dia dos judeus , mas não parece que ele e os discípulos se reuniram naquele dia , mas apenas no primeiro , que era o dia religioso de adoração, do partir o pão e da celebração da Ceia do Senhor.
1e2d . O apóstolo Paulo deu ordens à igreja de Corinto, assim como ele tinha
dado às igrejas da Galácia , para fazer uma coleta para os santos pobres
no primeiro dia da semana , quando se reuniam ( 1 Coríntios. 16:1-2), o
que mostra que era habitual se reunirem naquele dia. Isso também era uma
ordem ou renovação e confirmação de uma ordem para se
reunirem naquele dia, pois como seria feita a cobrança a eles , aquele dia
era o mais adequado , uma vez que reunidos para o culto divino
estariam com seus corações mais aquecidos e revigorados
pela palavra e ordenanças . Sobre a passagem, Beza em uma
cópia antiga, depois de " o primeiro dia da semana " adiciona à
guisa de explicação , "dia do Senhor " , e assim
interpretam outros [ 24] e também Jerônimo [25].
1e2e . Esse dia é chamado por João
"dia do Senhor" quando ele diz: "Eu fui arrebatado no
espírito no dia do Senhor" (Ap 1:10) .Por suas palavras infere-se
que esse era um dia muito comum, assim chamado porque Cristo
nesse dia ressuscitou dentre os mortos e em comemoração a isso foi
mantida a pregação do evangelho e administração das ordenanças. Quando
João , um exilado em Patmos , escreveu seu Apocalipse, Já se haviam passado 60
anos da ressurreição de Cristo, mas esse dia ainda era
observado como um dia de culto religioso nos primeiros séculos do cristianismo.
Inácio [26] , que morreu oito ou dez anos depois do apóstolo João , diz:
" Mantenhamos o dia do Senhor , no qual nossa vida se levantou .”
Justino Mártir [27] alguns anos depois dele diz que no dia
comumente chamado domingo ( pelos
pagãos , ou seja, o primeiro dia da semana ), todos se reuniam na cidade para o
culto divino . Dionísio de Corinto fala sobre o dia do Senhor como um dia
sagrado [28]. Clemente de Alexandria [29] , no mesmo século , observa que
aquele que verdadeiramente mantém o dia do Senhor glorifica a ressurreição do
Senhor. Tertuliano [30] , no início do terceiro século, fala dos atos do culto
público , como "Dia de solenidades ao Senhor" . E, no mesmo século,
Orígenes [31] e Cipriano [32] fazem menção ao primeiro dia da
semana como "dia do Senhor" e tempo de adoração , e assim
tem sido em todos os tempos até o presente momento . Agora certamente
pode parecer sem escrúpulos a observância do primeiro dia da semana
como dia de adoração, uma vez que não parece que um sábado do sétimo dia fora
ordenado a Adão no seu estado de inocência , nem aos patriarcas como já fora
observado, e que a primeira menção do sábado foi na doação do maná ,
obrigando os judeus , somente eles a guardá-lo , ratificado pelo quarto
mandamento do Decálogo , já revogado, em que o primeiro dia da semana, ou
dia do Senhor , é substituído em seu lugar como o dia de adoração pela prática
e exemplo dos apóstolos. Mas se depois de tudo o quarto
mandamento com a moral dele paira sobre a mente de
qualquer pessoa como um mandamento que ainda está em
vigor , apesar de não ser verdadeiro isso, o que nos traria de volta ao
judaísmo , a um estado de servidão , pois permitiria que toda a
moralidade fosse atribuída a um dia , dele não se requer mais do que isso
: um descanso no sétimo dia depois de seis dias de trabalho não
contados da criação do mundo , pois o maior matemático do mundo não podia
nos assegurar isso; nem de qualquer dia ou hora definidos
quando começam os sete dias da semana ou aquilo que chamam de nomes
para os dias da semana, mas a regra é apenas esta: “ Seis dias
trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu
Deus.” Essa contagem pode ser feita de qualquer lugar em que
um homem viva , quer seja na Europa ou na América , na Grã-Bretanha , ou
nas Índias Ocidentais, pois todo homem é capaz , não precisa ser um
hábil matemático, de contar seis dias a partir do momento em que
faz uso de sua pá ou de seu arado. Não importa em qual lado do
globo esteja vivendo, qualquer homem é capaz de fazer essa conta ;
nem é a observação do primeiro dia qualquer objeção a esta regra , já que é
depois de seis dias de trabalho: o primeiro dia, o dia em que Cristo
ressuscitou , mantido por seus discípulos, foi após os seis dias de
trabalho, pois o sábado dos judeus ser entre isso e os seis dias de
trabalho não pode haver nenhuma objeção , já que era um dia de descanso e
não de trabalho, de modo que para o tempo havia dois dias
consecutivos de descanso , após os seis dias de trabalho , quando o
sabado judaico retrocedeu e o domingo o sucedeu regularmente, como
se faz agora . Em suma, a única regra segura para seguirmos é a
dos apóstolos: Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz (Rm
14:6) ou assim ele deve fazer. O que me leva a observar,
2. Que o dia do Senhor
deve ser considerado ou observado não para nós mesmos, para o nosso próprio
lucro e prazer, mas para o Senhor, para o seu serviço e glória.
2a. Não como um sábado judaico, com o mesmo rigor e gravidade a ponto de não querer acender um fogo, preparar qualquer tipo de comida ou viajar mais longe da jornada de um sábado.
2b. Não devemos fazer nenhum trabalho neste dia , isto é, qualquer
atividade comercial, industrial ou profissional como nos outros dias; ao
contrário, devemos fazer obras de piedade, misericórdia e caridade , uma vez
que é necessário para preservação da vida, do conforto e da saúde nossa e dos
outros.
2c. O dia do Senhor é para ser empregado especialmente em atos do culto público, isto é, na pregação, no ouvir a palavra pregada, na oração e na preparação dos louvores.
2d. Em atos privados de devoção, tanto antes quanto após o culto público; como já foi observado, quando a palavra estiver sendo pregada.
2c. O dia do Senhor é para ser empregado especialmente em atos do culto público, isto é, na pregação, no ouvir a palavra pregada, na oração e na preparação dos louvores.
2d. Em atos privados de devoção, tanto antes quanto após o culto público; como já foi observado, quando a palavra estiver sendo pregada.
2e. O dia todo, de manhã à noite, deve ser observado. A primeira parte do dia não deve ser gasta com o sono, nem qualquer outra parte com os negócios próprios de um homem: o lançar-se as suas contas, o ler livros seculares, o entreter-se em prazeres carnais, recreações, jogos, esportes, o andar nos campos e em viagens desnecessárias. Mas além da adoração pública, os homens devem comparecer à leitura das Escrituras, à oração, à meditação, às conferências cristãs, e em tais exercícios piedosos eles deveriam passar o dia inteiro.
NOTAS:
[22] Confess. Fidei. c. 5. s. 41.
[23] In Precept. 4. tom. 4.
p. 670.
[24] Vid. Mill. in loc.
[25] Adv. Viglantium Oper.
tom. 2. fol. 42.
[26] Ad Magnes. p. 35.
[27] Apolog. 2. p. 98, 99.
[28] Apud Euseb. l. 4. c 23. Irenaeus, l. 5. c. 24.
[29] Stromat. l. 7. p. 744.
[30] Deut. Anima, c. 9.
[31] Homil. 5. in Esaiam,
fol. 104. 3. et alibi.
[32] Ep. 33. p. 66. &
Ep. 58. p. 138.
Fonte: In Das Circunstâncias do Culto
Público Quanto ao Tempo e Lugar
Tradução: Luciano de Oliveira

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