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| Davi e Golias |
Pede-me, e eu te darei os gentios por herança, e os fins da terra por tua possessão.Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro.Salmos 2:8,9
Davi, como sabemos,
depois de ter alcançado marcantes vitórias, reinou sobre uma vasta extensão
territorial, de modo que muitas nações se lhe tornaram tributárias; mas o que
aqui se acha expresso não se cumpriu nele. Se compararmos seu reino com outras
monarquias, veremos que ele esteve confinado dentro de limites muito tacanhos. Portanto,
a menos que nossa suposição seja que
esta profecia concernente à vasta extensão do reino tivesse sido pronunciada em
vão e falsamente, devemos aplicá-la a Cristo, o único que subjugou a si o mundo
inteiro e mantém todas as terras e nações sob seu domínio. Consequentemente,
aqui, como se dá em muitos outros lugares, a vocação dos gentios é prenunciada,
para evitar que todos imaginassem que o Redentor que estava sendo enviado da
parte de Deus era rei de uma só nação. E se agora vemos seu reino dividido, diminuído
e sucumbido, tal coisa procede da perversidade dos homens, os quais se fazem
indignos de estar sob um reinado tão feliz e desejável. Ainda, porém, que a
ingratidão dos homens retarde a prosperidade do reino de Cristo, tal fato não
anula o efeito dessa predição, porquanto Cristo recolhe os remanescentes de seu
povo de todos os quadrantes, e em meio a essa ignóbil desolação os mantém unidos
pelo sagrado vínculo da fé, de modo que não escape um canto sequer, senão que
todo mundo esteja sujeito à sua autoridade. Além disso, quanto mais
insolentemente os ímpios ajam, e quanto mais rejeitem sua soberania, não podem,
por sua rebelião, destruir sua autoridade e poder.
[...] Desse invencível
poder em guerra, Deus exibiu um espécime , primeiramente na pessoa de Davi que,
como sabemos, conquistou e subjugou muitos inimigos pela força das armas. Mas a predição é mais plenamente cumprida em
Cristo que, não pela espada nem pela lança, mas pelo sopro de sua boca, golpeia
os ímpios até a sua completa destruição.
[...] o sopro de sua
boca substitui todas as demais armas [...] Portanto, ainda que Cristo não mova
sequer um dedo, no entanto, ao falar troveja pavorosamente contra seus inimigos
e os destrói só com a vara de sua boca. Podem
lamuriar e protestar, e com o furor de um louco resisti-lo como nunca, mas
finalmente serão compelidos a sentir que aquele , a quem se recusam honrar com
seu rei, é seu juiz. Em que aspecto a doutrina do evangelho é uma vara de
ferro, pode deduzir-se da Epístola de Paulo aos Coríntios [ 2 Co 10:4 ], onde
ele ensina que os ministros de Cristo são equipados com armas espirituais para
lançar abaixo todo elemento elevado que se exalta contra Cristo.
[...] entretanto, visto
que não vemos os inimigos do Redentor imediatamente despedaçados, mas, ao
contrário, a Igreja mesma é que parece ser como o frágil vaso de barro debaixo
dos martelos de ferro deles, os santos necessitam ser admoestados a considerar
os juízos que Cristo executa diariamente como presságio da terrível ruína que
está reservada para todos os ímpios e a esperar pacientemente pelo último dia,
quando os consumirá completamente pelo ardente fogo no meio do qual ele virá. Nesse
ínterim, descansemos satisfeitos porque ele “ reina no meio dos seus inimigo”.
Fonte: Comentários em Salmos 2: 8-9. Editora Fiel: pp. 61-64.

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