sábado, 12 de outubro de 2013

O Batismo por Imersão-Lutero e Calvino (Excertos)


“O Batismo se chama em grego baptismos; em latim mersio. Isso quer dizer que algo se afunda totalmente na água, de maneira que fica coberto totalmente. Em muitos lugares já não é costume  introduzir as crianças nas águas batismais  e submergi-las, senão unicamente com a mão molhá-las com água na pia batismal. Não obstante, deveria ser assim e seria justo que, como reza a palavra batismo, submergiria totalmente na água a criança ou a qualquer que se batize; que se o mergulhe na água e depois o traga de volta das águas. Ademais também na língua alemã, sem dúvida alguma a palavra “ Taufe” se deriva da voz “ Tiefe”, posto que se afunda profundamente na água aquele que se batiza. Isso também exige o significado do batismo, já que expressa que o velho homem, pecador nascido de carne e sangue, deve ser afogado integralmente pela graça de Deus, como ouviremos. Portanto se deveria fazer justiça ao significado através de um sinal apropriado e perfeito”.

Lutero. Sermão Sobre o Santo e Digníssimo Sacramente do Batismo


“Atribui-se ao Batismo a ablução dos pecados. Com razão. Contudo é um significado muito suave e muito débil em relação ao que o Batismo expressa, o qual mais é símbolo da morte e ressurreição. Movido por essa razão, gostaria eu que os que vão ser batizados fossem totalmente submergidos na água, tal como soa o vocábulo e designa o mistério. Não o julgo necessário, mas seria bonito dar a uma coisa tão perfeita e plena  também um sinal pleno e perfeito, tal como Cristo, sem dúvidas o instituiu”.

Lutero. O Cativeiro Babilônico da Igreja


E mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou. At 8:38

"Aqui vemos o rito usado entre os homens dos tempos antigos, no batismo, pois eles colocavam todo o corpo na água. Mas não devemos ficar muito inquietos sobre uma diferença tão pequena de uma cerimônia que possa, portanto, dividir a Igreja, ou perturbar a mesma com brigas. Devemos lutar ,sim, até cem vezes mais, até a morte, para que a cerimônia do batismo em si, na medida em que nos foi entregue por Cristo, não possa ser tirada de nós".



João Calvino. Comentário a Atos 8:38


Ora, João batizava também em Enom, junto a Salim, porque havia ali muitas águas; e vinham ali, e eram batizados. João 3:23

"É provável que Cristo, quando a festa tinha passado, veio da parte da Judéia, que estava na vizinhança da cidade de Enon, cidade essa situada na tribo de Manassés. O evangelista diz que havia ali muitas águas e estas não eram tão abundantes como na Judeia. Agora geógrafos nos dizem que estas duas cidades, Enon e Salim, não estavam longe da confluência do rio Jordão e do ribeiro de Jaboque e acrescentam que Citópolis era perto delas. A partir dessas palavras, podemos inferir que o batismo administrado por João a Cristo foi por imersão do corpo inteiro sob a água, embora não devemos nos dar qualquer grande inquietação sobre o rito exterior, desde que esteja de acordo com a verdade espiritual e conforme a regra especificada pelo Senhor".

João Calvino. Comentário a João 3:22-23

"Quer a pessoa que está sendo batizada seja totalmente imersa, e que seja uma só vez ou três, ou se ela é apenas aspergida com água, isso é de bem pouca importância; antes, as igrejas devem ter a liberdade de adotar um ou outro modo, em conformidade com a diversidade climática, ainda que seja evidente que o termo batizar significa imergir, e que esta forma  foi observada na igreja primitiva”.
 João Calvino. Institutas IV

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