quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O Uso do Véu das Mulheres- João Calvino



Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada.Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu. 1 Coríntios 11:5-6

 
A segunda proposição é que a mulher deve manter sua cabeça coberta quando ora ou profetiza, doutra sorte estaria desonrando sua cabeça. Pois o homem honra sua cabeça manifestando publicamente que é independente; semelhantemente, a mulher assim procede a fim de mostrar que ela está em submissão. Em contrapartida, se a mulher descobre sua cabeça, ela estará se desvencilhando da submissão devida, e como isso demonstra, ao mesmo tempo, desconsideração por seu esposo. Não obstante, pode parecer desnecessário a Paulo proibir uma mulher de profetizar com a cabeça descoberta, visto que em 1 Tm 2:12 ele sumariamente priva a mulher de falar na igreja. Portanto, as mulheres não têm o direito de profetizar, nem mesmo com suas cabeças cobertas; e a conclusão óbvia é que para Paulo é perda de tempo prosseguir discutindo aqui a questão da cobertura [ cabeça ]. A isso respondo que, ao desaprovar o apóstolo uma coisa, aqui, não significa que está aprovando a outra, ali. Pois quando as censuras de profetizarem com a cabeça descoberta, ele não está absolutamente fazendo uma concessão para profetizar, senão que está protelando a censura contra este erro para outra passagem [ cap. 14 ]. Esta é uma resposta perfeitamente adequada. Entretanto, pode-se adequar a situação plenamente bem, dizendo que o apóstolo espera das mulheres esta conduta modesta, não só no local onde toda a congregação se reúne, mas também em qualquer outras das reuniões mais formais, seja das senhoras, seja dos senhores, como às vezes sucede em reuniões domésticas privativas.

Ele então se vale de outras razões para ultimar sua tese de que é inconveniente às mulheres conservarem suas cabeças descobertas. A própria natureza revela que isso é um horror, diz ele. Uma mulher com sua cabeça rapada é algo asqueroso, deveras uma visão que agride a natureza. Presumimos disto que à mulher foi dado seu cabelo como uma cobertura natural. Se alguém contesta que seu cabelo, sendo sua cobertura natural, é tudo quanto importa, Paulo diz que não, pois esta é uma cobertura de tal gênero que requer cobri-la. E daqui podemos aventurar-nos a uma conjetura provável de que as mulheres que possuíam uma invejável cabeleira tinham o habito de aparecer em público com a cabeça descoberta com o fim de exibir sua beleza. Portanto, Paulo intencionalmente, remedia tal erro, expressando um conceito completamente oposto ao delas, a saber: que em vez de torná-las atraentes aos olhos dos homens, e desperta sua luxúria, só serviam de espetáculo indecoroso.



Fonte: João Calvino.Comentário a 1 Co 11:5-6. Editora Parakletos, pp.333 e 334

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